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EUA consideram interceptar petroleiro de bandeira russa que deixou a Venezuela

Rússia reivindica navio sancionado; EUA avaliam operação no Atlântico Norte

O presidente dos EUA, Trump, se encontra com o presidente russo, Putin, no Alasca (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

247 - Os Estados Unidos elaboram planos para tentar interceptar um petroleiro sancionado que passou a ser reivindicado oficialmente pela Rússia, em um movimento que pode provocar uma nova escalada de tensão diplomática entre Washington e Moscou. 

Segundo a CNN Brasil, o navio, originalmente batizado de Bella 1, foi sancionado pelos EUA em 2024 por integrar uma chamada "frota sombra", utilizada para o transporte de petróleo considerado ilícito pelo país. Inicialmente, a embarcação seguia em direção à Venezuela, mas alterou sua rota no mês passado para evitar uma possível apreensão pela Guarda Costeira estadunidense.

Mudança de rota para evitar apreensão

Dados de rastreamento marítimo da empresa de inteligência comercial Kpler indicaram que, nos últimos dias, o petroleiro navegava pelo Atlântico Norte, seguindo rumo ao nordeste, próximo à costa do Reino Unido. Durante a manobra, a tripulação teria pintado uma bandeira da Rússia no casco do navio e passou a declarar que navegava sob proteção russa.

Reivindicação russa complica interceptação

Pouco depois, segundo a reportagem, a embarcação passou a constar no registro oficial marítimo da Rússia com um novo nome: Marinera. No mês passado, Moscou apresentou um pedido diplomático formal exigindo que os Estados Unidos interrompessem a perseguição ao navio. Ao reivindicar oficialmente a posse, a Rússia tornou mais complexas as questões jurídicas relacionadas a uma eventual apreensão da embarcação em águas internacionais.

Vigilância e reforço militar

Os planos de interceptação ocorrem em meio à intensificação da vigilância militar estadunidense. Aeronaves P-8 de patrulha marítima dos EUA, operando a partir da base da RAF Mildenhall, em Suffolk, na Inglaterra, monitoraram o petroleiro nos últimos dias, segundo dados de voo de fontes abertas.

Também houve um reposicionamento mais amplo de ativos militares dos EUA para o Reino Unido. Nas últimas 48 horas, ao menos 12 aeronaves de transporte C-17 pousaram nas bases de Fairford e Lakenheath, muitas provenientes dos Estados Unidos. Dados de voo também indicaram a atividade de dois aviões V-22 Osprey e a chegada de dois aviões de ataque AC-130 à base de Mildenhall no domingo.

Bloqueio à Venezuela e novas ações

Duas fontes afirmaram que os EUA também planejam interceptar outros petroleiros sancionados que tentaram evitar a captura nos últimos dias. No mês passado, o presidente Donald Trump anunciou um "bloqueio completo" a navios sancionados que tentem entrar ou sair da Venezuela como forma de pressionar o regime venezuelano.

Os EUA sequestraram o presidente Nicolás Maduro em um complexo em Caracas na manhã de sábado (3). O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o bloqueio continuará sendo aplicado como "alavanca" sobre o governo interino venezuelano.

Operação no Atlântico enfrenta desafios

De acordo com as fontes, uma eventual apreensão do Bella 1 no norte do Atlântico exigiria o emprego de Forças de Operações Especiais em apoio à Guarda Costeira dos EUA, repetindo uma estratégia usada em 11 de dezembro, quando um petroleiro sancionado foi interceptado próximo à costa da Venezuela.

A operação, no entanto, seria mais complexa devido às condições climáticas adversas da região e ao fato de a Rússia ter reivindicado oficialmente a propriedade do navio. A tomada do controle da embarcação exigiria ainda uma Equipe de Resposta Especial Marítima, especializada em abordagens a navios que não cooperam. A Casa Branca se recusou a comentar os planos. 

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