Gustavo Petro se reúne hoje com Donald Trump
Presidente colombiano cumpre compromissos políticos e econômicos nos EUA em meio a tensões diplomáticas e encontro previsto com Trump
247 - O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, iniciou nesta segunda-feira (2), uma visita oficial a Washington, onde permanece até o dia 5 de fevereiro, com uma agenda que inclui compromissos políticos, acadêmicos, empresariais e comunitários. O ponto central da viagem é a reunião bilateral prevista para esta terça-feira (3), na Casa Branca, com Donald Trump, em um contexto marcado por meses de atritos diplomáticos entre os dois governos.
No início das atividades, Petro destacou publicamente o primeiro compromisso do dia. “Começo meu dia de intensa comunicação com o governo dos EUA com minha entrevista com o representante comercial dos EUA na Colômbia, McNamara”, publicou o presidente colombiano em suas redes sociais. As informações foram divulgadas originalmente pela Telesur, com base em dados oficiais do governo colombiano.
Segundo o gabinete presidencial, a visita busca avançar temas relacionados à política externa do Estado e aos interesses nacionais da Colômbia. Entre os compromissos anunciados estão uma palestra sobre mudanças climáticas na Universidade de Georgetown, encontros com empresários do setor cacaueiro voltados ao comércio e à sustentabilidade, reuniões com congressistas norte-americanos para fortalecer o diálogo político e legislativo bilateral e um evento com a diáspora colombiana na Biblioteca Martin Luther King.
A agenda em Washington teve início com uma reunião entre Petro e o representante comercial dos Estados Unidos na Colômbia, John McNamara. O encontro ocorreu em um cenário diplomático sensível, após um período de deterioração das relações bilaterais, iniciado em janeiro de 2025, com o começo do segundo mandato de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos.
As divergências entre os dois governos se intensificaram especialmente em torno das políticas migratórias. Em um dos episódios mais emblemáticos, Petro devolveu dois voos militares norte-americanos que transportavam colombianos deportados com as mãos atadas. Sobre o episódio, o presidente escreveu nas redes sociais: «Jamás permitiré que traigan colombianos esposados en vuelos. Marco, si funcionarios de la Cancillería permitieran esto, nunca sería bajo mi dirección», em referência ao secretário de Estado Marco Rubio. A reação de Washington incluiu ameaças de tarifas de até 50% e sanções contra autoridades colombianas.
As tensões avançaram para o campo econômico e diplomático em setembro de 2025, quando o governo Trump decidiu descertificar a Colômbia no combate ao narcotráfico, alegando que o país havia “falhado notavelmente” em suas obrigações.
O desgaste aumentou após declarações de Petro na Assembleia Geral da ONU, que levaram à revogação de seu visto pelos Estados Unidos. Em outubro, o Departamento do Tesouro incluiu Gustavo Petro, sua esposa Verónica Alcocer, seu filho Nicolás Petro e o ministro do Interior Armando Benedetti na chamada “lista Clinton”, por suposto envolvimento com o tráfico ilícito de drogas. Diante das sanções, o presidente colombiano tornou públicas suas contas bancárias e anunciou a contratação de advogados norte-americanos para contestar as medidas.
Às vésperas da viagem, o clima começou a mudar após um telefonema entre os dois líderes. Donald Trump descreveu o contato na rede Truth Social como “uma grande honra” e afirmou que Petro “ligou para explicar a situação das drogas e outras divergências que tivemos. Agradeço sua ligação e tom, e espero me encontrar com ele em breve”.
Antes do encontro na Casa Branca, Trump declarou que Petro tem sido “muito amigável no último mês ou dois”, após um período em que foi “crítico antes disso”. O presidente dos Estados Unidos indicou que a pauta da reunião incluirá o tema do narcotráfico, observando que “enormes quantidades de drogas saem de seu país”, mas acrescentou: “Teremos uma boa reunião”.


