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Havana denuncia manipulação política dos EUA em anúncio de ajuda a Cuba

Governo Trump não comunicou Cuba sobre o suposto envio de ajuda humanitária, disse a chancelaria cubana

Bruno Rodríguez (Foto: Cancillería de Cuba)

247 - O Ministério das Relações Exteriores de Cuba denunciou a ausência de uma comunicação oficial do governo dos Estados Unidos a respeito do envio da ajuda humanitária a ser enviada à ilha pelo país norte-americano. 

Em nota na quarta-feira (14), Havana criticou o anúncio de ajuda por parte dos EUA como "oportunista" e reiterou que está aberto a receber ajuda humanitária, como parte dos esforços de reconstrução após a passagem devastadora do furacão Melissa há mais de dois meses. 

"Passaram-se 77 dias. Em 14 de janeiro, o Departamento de Estado daquele país comunicou publicamente que parte da ajuda chegaria ao território nacional. Em nenhum momento houve comunicação oficial do governo dos Estados Unidos com o governo de Cuba para confirmar esse envio", diz o documento. 

Voos fretados transportando a primeira parte de uma ajuda humanitária dos Estados Unidos no valor de US$ 3 milhões para Cuba após o furacão Melissa teriam partido da Flórida ainda na quarta-feira, afirmou mais cedo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em comunicado, segundo a Sputnik. De acordo com Rubio, a assistência consiste em alimentos, kits de higiene e outros itens essenciais para ajudar o país e sua população na recuperação.

Os Estados Unidos estão trabalhando em estreita colaboração com a Igreja Católica em Cuba para garantir a transparência e a eficácia do envio, acrescentou Rubio. Leia a íntegra da nota da chancelaria cubana:

O governo dos Estados Unidos está se valendo, de forma oportunista e com fins de manipulação política, do que aparentaria ser um gesto humanitário.

No contexto do intenso esforço de recuperação iniciado imediatamente em Cuba após a passagem do furacão Melissa pelo território nacional, em 29 de outubro de 2025, e da ajuda solidária que chegou desde o primeiro momento, o governo dos Estados Unidos proclamou a intenção de enviar ajuda humanitária.

Passaram-se 77 dias. Em 14 de janeiro, o Departamento de Estado daquele país comunicou publicamente que parte da ajuda chegaria ao território nacional. Em nenhum momento houve comunicação oficial do governo dos Estados Unidos com o governo de Cuba para confirmar esse envio.

Foi a Igreja Católica cubana que informou às autoridades do país que a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos pretendia atuar como canal para o envio a Cuba da assistência material que o governo norte-americano contribuiria.

Em princípio, Cuba não se opõe à ajuda proveniente de governos ou organizações, desde que beneficie o povo e que as necessidades das vítimas não sejam utilizadas para obter dividendos políticos sob o disfarce de um gesto humanitário.

As contribuições recebidas por qualquer via são acolhidas, organizadas e canalizadas em Cuba por meio das autoridades governamentais responsáveis por essa função oficial, com a participação de organizações, como a Igreja Católica e outras, que possuem experiência comprovada nesse tipo de processo.

Cuba aceita essa doação sem condições, entendendo que se trata de um gesto do povo dos Estados Unidos, que sustenta, com suas contribuições, os fundos públicos utilizados pelo governo.

A assistência material proveniente dos Estados Unidos por essa via será destinada, como é evidente, às vítimas e às comunidades afetadas, ainda que represente apenas uma fração do esforço do povo e do governo cubanos, bem como da ajuda recebida de diversas partes do mundo, inclusive de organizações dos Estados Unidos não vinculadas ao governo.

O Departamento de Estado pode continuar mentindo sobre Cuba, mas não pode alterar os fatos.

Havana, 14 de janeiro de 2026

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