Líder do cartel Tren de Aragua é morto em operação conjunta dos EUA e Venezuela
Ação coordenada entre Washington e Caracas matou Niño Guerrero no estado de Bolívar
247 - O líder do Tren de Aragua, uma das maiores organizações criminosas da América Latina, Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero, foi morto durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos em coordenação com autoridades venezuelanas. O anúncio foi feito na noite desta sexta-feira (12). Segundo a Deutsche Welle (DW), a ação ocorreu no estado de Bolívar, no sudeste da Venezuela, e teve como alvo o principal comandante da facção criminosa de origem venezuelana.
Operação conjunta no sul da Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a operação foi executada pelo Comando Sul das Forças Armadas americanas.
"Sob minhas ordens, o Comando Sul dos Estados Unidos desferiu um ataque cinético rápido e letal para eliminar com sucesso Niño Guerrero, o infame líder do Tren de Aragua, uma das organizações terroristas mais sanguinárias do planeta Terra", escreveu Trump na rede Truth Social.
O presidente dos Estados Unidos acrescentou que a ação foi realizada em cooperação com Caracas. "A operação foi realizada em estreita cooperação com nossos amigos na Venezuela, com os quais estamos trabalhando muito bem", declarou.
Pouco depois do anúncio estadunidense, o governo venezuelano confirmou a morte de Guerrero Flores. Em comunicado, o Ministério da Comunicação informou que o criminoso foi "neutralizado" durante uma operação combinada e que houve confrontos com integrantes de estruturas ligadas ao crime organizado.
Segundo a nota oficial, a ofensiva contou com apoio tecnológico especializado e foi executada por meio de mecanismos de cooperação e intercâmbio de informações de inteligência.
Trump celebra ofensiva contra organização criminosa
Trump também afirmou que o Tren de Aragua perdeu sua principal base de proteção. "Os terroristas do Tren de Aragua já não têm um santuário na Venezuela nem em qualquer outro lugar", escreveu.
A publicação do presidente estadunidense foi acompanhada por um vídeo de cerca de dez segundos que mostra imagens aéreas de uma residência cercada por vegetação sendo atingida por uma explosão. As imagens não permitem identificar pessoas no local.
Relatos recolhidos pela AFP indicam que militares venezuelanos intensificaram operações na região nos últimos dias. Testemunhas afirmaram que helicópteros militares sobrevoaram áreas de mineração no estado de Bolívar e que explosões foram registradas durante as incursões.
Quem era Niño Guerrero
Niño Guerrero era considerado o principal líder do Tren de Aragua e figurava entre os criminosos mais procurados da região. O Departamento de Estado dos Estados Unidos oferecia uma recompensa de US$ 5 milhões por informações que levassem à sua captura ou condenação.
Em julho de 2025, Washington impôs sanções econômicas contra Guerrero Flores e outros integrantes da organização. Meses depois, promotores federais de Nova York apresentaram acusações contra 70 membros da facção, incluindo o líder, por associação criminosa, tráfico de drogas e crimes relacionados a armas de fogo.
Ao anunciar as acusações, o procurador federal Jay Clayton definiu o papel exercido por Guerrero na expansão do grupo.
"Guerrero Flores foi o cérebro por trás da evolução do Tren de Aragua, que deixou de ser uma gangue prisional venezuelana para se tornar uma organização terrorista transnacional", afirmou.
Expansão do Tren de Aragua pela América Latina
O Tren de Aragua surgiu em 2014 na prisão de Tocorón, localizada no estado venezuelano de Aragua. Ao longo dos anos, a organização expandiu sua atuação para diversos países da América Latina, tornando-se uma das redes criminosas mais influentes da região.
O grupo é acusado de envolvimento com extorsão, assassinatos por encomenda, narcotráfico, tráfico de pessoas, exploração sexual, mineração ilegal e outros crimes transnacionais.
Após a ocupação militar da penitenciária de Tocorón, em setembro de 2023, o governo venezuelano anunciou o desmantelamento da organização. Na ocasião, porém, Niño Guerrero já estava foragido.
Segundo análises do centro de estudos Insight Crime, Guerrero transformou a facção em uma estrutura criminosa de alcance internacional durante o período em que esteve encarcerado. Relatórios da entidade apontam que Tocorón se tornou uma das prisões mais conhecidas da Venezuela, marcada pelo elevado grau de influência exercido por líderes criminosos sobre a administração da unidade.



