Maduro enfrenta primeira audiência nos EUA após ser sequestrado
Sessão em Nova York definirá passos iniciais do processo criminal contra o presidente venezuelano acusado de narco-terrorismo
247 - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, comparece nesta segunda-feira (5) à sua primeira audiência judicial nos Estados Unidos, em um tribunal federal de Nova York. A sessão está marcada para as 14h (horário de Brasília) e marca o início formal do processo criminal movido pelo governo norte-americano, que atribui ao líder venezuelano acusações relacionadas ao tráfico internacional de drogas e outros crimes.
Maduro chegou ao tribunal pela manhã acompanhado da esposa, Cilia Flores, após deixar o Metropolitan Detention Center (MDC), onde estava detido desde sábado (3), quando foi sequestrado em Caracas. As informações sobre a audiência e o andamento do caso foram divulgadas inicialmente pela CNN internacional.
Para esta primeira aparição diante da Justiça americana, Maduro contará com um advogado designado pelo tribunal. Segundo pessoas familiarizadas com o caso ouvidas pela emissora, a defesa ficará a cargo de David Wikstrom, que o representará nesta fase inicial do processo.
A audiência será conduzida pelo juiz federal Alvin K. Hellerstein, de 92 anos, magistrado do Distrito Sul de Nova York. Nomeado e confirmado para o cargo em 1998, durante o governo do então presidente Bill Clinton, Hellerstein atua como juiz sênior desde 2011 e tem no currículo a condução de casos de grande impacto nacional, especialmente nas áreas de terrorismo e segurança nacional.
Entre os processos mais conhecidos sob sua responsabilidade estão ações decorrentes dos atentados de 11 de setembro de 2001. Mais recentemente, no verão do hemisfério norte, o ex-general e ex-chefe de inteligência da Venezuela Hugo Carvajal Barrios se declarou culpado diante do mesmo juiz por acusações ligadas a narco-terrorismo e tráfico de drogas.
Hellerstein também ganhou destaque nos últimos anos por decisões envolvendo Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. O magistrado negou pedidos do republicano para transferir ao foro federal o processo criminal relacionado ao pagamento de silêncio à atriz pornô Stormy Daniels. Na ocasião, o juiz entendeu que os reembolsos feitos a Michael Cohen não configuravam atos oficiais ligados à Presidência. Trump segue contestando essa decisão. Em outra frente, na primavera, Hellerstein barrou o uso da Lei de Inimigos Estrangeiros pelo governo Trump para deportar venezuelanos, criticando a prática de enviar pessoas a uma prisão estrangeira “com tênue esperança de processo ou retorno”.
O processo contra Maduro envolve quatro acusações já apresentadas anteriormente em Nova York, em 2020: narco-terrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e conspiração. De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, trata-se de um caso que vem sendo estruturado há cerca de 15 anos.
A audiência ocorre em meio a intensa repercussão internacional. Ainda nesta segunda-feira (5), o Conselho da ONU se reúne para discutir o sequestro do presidente venezuelano. No campo diplomático, a presidente interina da Venezuela declarou que pretende atuar “junto” com os Estados Unidos, enquanto Donald Trump afirmou que poderia ordenar um segundo ataque contra a Venezuela caso o governo “não se comportar”.



