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Maioria dos brasileiros concorda com ataque militar dos EUA contra a Venezuela, diz pesquisa

Levantamento mostra que 51% da população apoia agressão militar dos EUA que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro

Cilia Flores e Nicolás Maduro (Foto: Adam Gray/Reuters)

247 - Cerca de 51% dos brasileiros concordam com os ataques dos Estados Unidos na Venezuela que resultaram no sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cília Flores, segundo a pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta segunda-feira (19). Outros 28% discordam total ou parcialmente da ação, enquanto 6% afirmaram não concordar nem discordar. O levantamento foi realizado entre 10 e 14 de janeiro e ouviu 2.000 pessoas em 130 municípios brasileiros. Já 15% preferiram não opinar. As informações são da revista Veja.

Perfil dos que apoiam o sequestro

O apoio às agressões estadunidenses é mais elevado entre entrevistados com renda familiar acima de cinco salários mínimos, grupo em que a concordância alcança 62%. Entre evangélicos, o índice é de 61%, enquanto pessoas de 25 a 34 anos somam 60%. Homens registram 58% de concordância, e entre quem recebe de dois a cinco salários mínimos, o percentual é de 59%.

Quando analisado o comportamento eleitoral em 2022, 73% dos eleitores de Jair Bolsonaro (PL) afirmam concordar com o sequestro de Maduro. Entre os que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o índice cai para 34%. No Nordeste, 35% dos moradores se posicionam contra a ação.

Motivações percebidas para a agressão dos EUA

A pesquisa também investigou a percepção sobre os motivos do ataque à soberania venezuelana. Para 26% dos entrevistados, o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, buscava assumir o controle do petróleo e dos recursos naturais da Venezuela. Essa resposta é mais frequente entre pessoas com maior escolaridade e renda.

A defesa da democracia e dos direitos humanos aparece em segundo lugar, com 22%, sendo mais citada por evangélicos e eleitores de Bolsonaro. O combate ao narcotráfico, apontado pela Casa Branca como principal justificativa para o ataque, mesmo sem provas concretas, foi mencionado por 18% dos participantes. A segurança nacional dos EUA e o enfraquecimento de governos de esquerda na América Latina foram citados por 6% cada. Outros 23% não souberam responder.

Posição brasileira e impactos esperados

Sobre a postura do Brasil, 66% defendem que o país mantenha neutralidade diante da ação. Já 17% acreditam que o governo brasileiro deveria apoiar o sequestro, enquanto 9% avaliam que o posicionamento deveria ser contrário. A pesquisa ouviu ainda a opinião sobre possíveis impactos para o Brasil. Para 29%, a ação pode trazer consequências negativas. Outros 23% veem efeitos positivos, e 28% consideram que não haverá impacto algum.

Temor de ataques similares no Brasil

Questionados sobre a possibilidade de um ataque semelhante ocorrer no Brasil, 57% afirmaram não ter medo. Já 37% demonstraram algum nível de preocupação, sendo que 14% dizem ter muito medo e 23% relatam pouco medo.

"Os dados revelam uma dualidade na percepção dos brasileiros. Por um lado, há um apoio pragmático a uma ação de força contra um regime visto como autoritário. Por outro, há uma desconfiança histórica sobre as reais intenções de intervenções geopolíticas na América Latina, com o interesse econômico sendo visto como o principal motor", afirmou Marcia Cavallari, líder da Ipsos-Ipec.

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