México reafirma cooperação sem subordinação aos EUA
Governo mexicano afirma que cooperação com Washington seguirá sem subordinação política ou militar
247 - A presidente do México, Claudia Sheinbaum, reafirmou que a cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado seguirá baseada no respeito à soberania nacional, sem subordinação política ou militar a Washington. A declaração ocorre em meio a novas tensões provocadas por falas de uma autoridade norte-americana sobre possíveis medidas unilaterais contra servidores públicos mexicanos acusados de ligação com organizações criminosas, conforme informou a teleSUR.
Segundo a teleSUR, Sheinbaum respondeu nesta segunda-feira, 15 de junho, às declarações feitas pela diretora de Políticas de Controle de Drogas em Washington, Sara Carter, que afirmou que o governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, tem como objetivo desmantelar cartéis do narcotráfico que operam no México, incluindo ações contra funcionários públicos que supostamente colaborem com essas organizações.
Soberania mexicana no centro do debate
Durante sua reunião matinal habitual com a imprensa, Sheinbaum evitou elevar o tom do confronto verbal, mas deixou claro que o México mantém sua posição histórica em defesa da autodeterminação. A presidente mexicana afirmou que representantes dos dois países continuam realizando encontros para tratar de segurança dentro das diretrizes de entendimento mútuo estabelecidas entre os governos.
“Temos reuniões, houve uma na sexta-feira”, disse Sheinbaum, ao se referir ao encontro de alto nível realizado em 12 de junho, na nova sede da embaixada dos Estados Unidos. A reunião foi liderada pelo chanceler mexicano, Roberto Velasco, e pelo embaixador norte-americano, o coronel reformado Ronald Johnson.
De acordo com a presidente, o encontro serviu para estabelecer uma nova estrutura de diálogo bilateral em segurança. Sheinbaum também defendeu que os esforços conjuntos sejam concentrados em planos de saúde pública e educação preventiva, em vez de medidas de caráter unilateral ou intervencionista.
A chefe de Estado enfatizou que a segurança nas fronteiras deve se apoiar na defesa rigorosa da soberania nacional e em uma colaboração coordenada, excluindo qualquer forma de subordinação do México à Casa Branca.
México cobra combate ao tráfico de armas
No campo da segurança fronteiriça, Sheinbaum destacou a necessidade de corresponsabilidade no enfrentamento ao crime transnacional. A presidente afirmou que o governo mexicano seguirá oferecendo apoio humanitário para conter o envio de substâncias ilícitas rumo ao norte, mas cobrou dos Estados Unidos um esforço equivalente para deter o contrabando de armas de fogo que entram ilegalmente em território mexicano.
A controvérsia teve início após Sara Carter declarar à imprensa que a administração norte-americana pretende desmantelar os cartéis que atuam no México. A autoridade dos Estados Unidos afirmou que as medidas também poderiam atingir integrantes da administração pública mexicana suspeitos de colaborar com grupos criminosos.
Carter classificou como exemplo bem-sucedido de cooperação o intercâmbio de informações de inteligência fornecidas por Washington. Segundo ela, essa colaboração ajudou na operação militar de 22 de fevereiro em Tapalpa, onde foi abatido Nemesio Oseguera, conhecido como “El Mencho”, principal líder do Cártel Jalisco Nova Geração, ao lado de seis de seus auxiliares.
Sheinbaum reconhece inteligência dos EUA, mas ressalta autonomia mexicana
Sheinbaum confirmou que agências dos Estados Unidos forneceram informações estratégicas importantes para a operação. No entanto, destacou que a Secretaria da Defesa Nacional do México, a Sedena, foi a responsável por planejar e executar de forma exclusiva todo o desdobramento operacional em campo.
A presidente mexicana reivindicou, assim, a autonomia e a capacidade operacional das Forças Armadas nacionais. O episódio também resultou na morte de 25 agentes da Guarda Nacional do México, segundo as informações divulgadas no texto original.
A posição do governo mexicano busca equilibrar a cooperação em inteligência com a defesa da soberania. Para Sheinbaum, o diálogo com Washington deve continuar, mas dentro de limites definidos pelo respeito à autodeterminação do país.
Acordo bilateral prevê ações imediatas
Os governos do México e dos Estados Unidos concordaram, na sexta-feira, 12 de junho, em executar ações coordenadas e imediatas contra o crime organizado internacional, sob o princípio de soberania mútua.
O encontro do Grupo Bilateral de Implementação foi realizado na nova sede da embaixada norte-americana e teve como objetivo pactuar estratégias operacionais urgentes contra o narcotráfico e o contrabando de armamento.
A comitiva técnica foi formada por procuradores e especialistas dos dois países. Pelo lado mexicano, a delegação voltou a defender que a cooperação bilateral deve ocorrer com absoluto respeito à autodeterminação e sob a premissa de “cooperação sem subordinação”.
A delegação dos Estados Unidos, por sua vez, afirmou que a reunião marca o começo de uma nova fase de coordenação para alcançar resultados imediatos em prioridades comuns. Entre os temas citados estão a neutralização do crime organizado, o combate ao roubo de combustível, a contenção da migração irregular e o controle de ameaças emergentes associadas ao uso de drones.
Fentanil, armas e finanças do crime
As duas partes concordaram sobre a urgência de desmantelar a estrutura financeira de máfias multinacionais e reforçar o combate ao tráfico de armas. Durante a sessão, as autoridades também informaram que as políticas coordenadas contribuíram para uma queda de 76% nas apreensões de fentanil na fronteira sul dos Estados Unidos.
Ainda segundo os dados apresentados no encontro, houve redução de 22,1% nas mortes por overdose de opioides sintéticos no norte do país. O embaixador Ronald Johnson afirmou que o Grupo Bilateral de Implementação representa uma evolução histórica para sustentar o enfrentamento ao narcotráfico.
O Ministério das Relações Exteriores do México confirmou que a próxima reunião do mecanismo bilateral será realizada na sede da chancelaria mexicana, com o objetivo de consolidar os acordos estratégicos alcançados entre os dois governos.



