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México vê motivação política em acusações dos EUA

O México reage a pedidos de extradição sem provas contra autoridades

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, fala à imprensa em sua coletiva de imprensa diária, na Cidade do México, México, 30 de março de 2026 (Foto: REUTERS/Quetzalli Nicte-Ha/Foto de arquivo)

247 - O governo do México afirmou que vê possível motivação política nas acusações apresentadas pelos Estados Unidos contra autoridades mexicanas, após pedidos de prisão preventiva para fins de extradição que, segundo o país, não vieram acompanhados de provas suficientes.

De acordo com a agência Prensa Latina, a presidente Claudia Sheinbaum declarou que o México atuará com base na legalidade, mas rejeitou qualquer tentativa de interferência externa e questionou o fundamento das imputações feitas pelo Departamento de Justiça norte-americano. 

Durante pronunciamento, Sheinbaum enfatizou que a posição do governo é pautada por princípios institucionais. “Como Presidente da República, minha posição sobre esses eventos é: verdade, justiça e defesa da soberania”, afirmou. Segundo ela, caso a Procuradoria-Geral da República (FGR) receba evidências “convincentes e irrefutáveis”, ou encontre elementos em investigações próprias, as autoridades agirão conforme a legislação mexicana.

A mandatária reforçou que não haverá proteção a eventuais envolvidos em crimes, mas criticou a ausência de provas. “Sempre deixei isso claro e agimos de acordo: não vamos acobertar ninguém que tenha cometido um crime; no entanto, se não há provas claras, fica evidente que o objetivo dessas acusações do Departamento de Justiça é político”, disse.

Sheinbaum também destacou que o país não aceitará interferência estrangeira em suas decisões internas. Em declaração lida durante coletiva, afirmou que “em nenhuma circunstância seria permitida a interferência ou intromissão de um governo estrangeiro em decisões que são de responsabilidade exclusiva do povo do México”.

Acusações e reação diplomática

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, por meio do Distrito Sul de Nova York, anunciou acusações contra 10 cidadãos mexicanos, incluindo autoridades como o governador interino de Sinaloa, um senador e o prefeito de Culiacán. As denúncias estariam relacionadas a supostos vínculos com o Cartel de Sinaloa.

Segundo o governo mexicano, junto às acusações foi divulgado um documento classificado como confidencial, o que motivou uma reação do Ministério das Relações Exteriores. A pasta destacou que esse tipo de procedimento viola tratados internacionais, já que os processos deveriam permanecer sob sigilo.

O Ministério das Relações Exteriores informou ainda que os pedidos enviados por Washington não continham provas e, por isso, foram encaminhados à Procuradoria-Geral da República para análise dentro do marco legal vigente.

Na quarta-feira, o Ministério Público confirmou a abertura de investigação, mas ressaltou que as solicitações dos Estados Unidos carecem de evidências suficientes até o momento.

Defesa da soberania

Durante sua fala, Sheinbaum reiterou o compromisso assumido ao tomar posse, destacando a defesa da Constituição e da soberania nacional. “O México estabelece uma relação de igualdade com todas as nações, nunca de subordinação e muito menos de rendição”, afirmou.

Entre os acusados, o governador de Sinaloa, Rubén Rocha, negou de forma contundente as acusações. Em mensagem publicada na rede social X, ele declarou que as denúncias são “carentes de qualquer verdade ou fundamento”.

O caso segue sob análise das autoridades mexicanas, enquanto o governo mantém a posição de que qualquer ação judicial deve respeitar a legislação nacional e a soberania do país.

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