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Nobel da Paz, María Corina celebra agressão dos EUA à Venezuela

Líder da oposição venezuelana saúda ofensiva norte-americana e pede tomada imediata do poder

Líder da oposição venezuelana María Corina Machado 09/01/2025 (Foto: Leonardo Fernandez Viloria/Reuters)

247 - A líder da oposição venezuelana María Corina Machado celebrou publicamente a agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela e tratou a ofensiva militar como um marco para a derrubada do governo de Nicolás Maduro. Em tom de exaltação, ela afirmou que o país vive o que chamou de “hora da liberdade” e defendeu a substituição imediata das autoridades venezuelanas por um novo comando alinhado à oposição.

Na nota divulgada neste sábado (3), María Corina Machado adotou um discurso de apoio explícito à ação dos Estados Unidos, atribuindo à operação militar o papel de impor uma suposta “justiça internacional”. “Chegou a hora da liberdade. Nicolás Maduro, a partir de hoje, enfrenta a justiça internacional pelos crimes atrozes cometidos contra os venezuelanos e contra cidadãos de muitas outras nações”, afirmou.

Ao justificar a ofensiva estrangeira, a dirigente da oposição declarou: “Diante de sua negativa em aceitar uma saída negociada, o governo dos Estados Unidos cumpriu sua promessa de fazer valer a lei”. A declaração ignora os apelos internacionais por diálogo e soberania e reforça a defesa de uma intervenção externa como instrumento legítimo de mudança de poder.

Na mensagem, María Corina também anunciou a intenção de reorganizar o Estado venezuelano sob uma nova liderança. “Chegou a hora de que a soberania popular e a soberania nacional governem nosso país. Vamos colocar ordem, libertar os presos políticos, construir um país excepcional e trazer nossos filhos de volta para casa”, declarou.

A líder oposicionista afirmou ainda que o momento representaria a consolidação de uma estratégia construída ao longo de anos. “Lutamos por anos, entregamos tudo, e valeu a pena. O que tinha que acontecer está acontecendo”, disse. Em seguida, defendeu a posse imediata de Edmundo González Urrutia, tratado por ela como presidente legítimo. “Escolhemos Edmundo González Urrutia como legítimo presidente da Venezuela, que deve assumir imediatamente seu mandato constitucional e ser reconhecido como comandante-em-chefe da Força Armada Nacional por todos os oficiais e soldados que a integram”, afirmou.

Em um dos trechos mais explícitos da nota, María Corina convoca seus apoiadores a assumir o poder. “Hoje estamos preparados para fazer valer nosso mandato e tomar o poder. Permaneçamos vigilantes, ativos e organizados até que se concretize a transição democrática”, declarou, acrescentando que a mobilização deve envolver tanto venezuelanos no país quanto no exterior.

A dirigente também fez um chamado direto à diáspora venezuelana para atuar junto a governos estrangeiros. “Precisamos que estejam mobilizados, acionando governos e cidadãos do mundo e comprometendo-os desde já com a grande operação de construção da nova Venezuela”, escreveu.

A manifestação termina com uma mensagem de cunho religioso e um slogan político. “Venezuela será livre. Vamos de mãos dadas com Deus, até o fim”, concluiu María Corina Machado, em uma nota que explicita seu alinhamento à agressão estrangeira e aprofunda a polarização política no país.

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