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Pesquisa da UnB aponta segurança pública como trunfo para eleições na América Latina

Segurança pública impulsionou 70% das vitórias eleitorais recentes na América Latina, aponta levantamento de pesquisador da UnB

Polícia Militar de Rondônia (Foto: Daiane Mendonça/Governo do Estado de Rondônia)
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247 - A segurança pública se consolidou como um dos principais fatores de mobilização eleitoral na América Latina desde 2023, com impacto direto em 70% das disputas realizadas no período, segundo levantamento do cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB). De acordo com o estudo, 13 das 19 eleições analisadas foram vencidas por lideranças que colocaram o combate ao crime organizado, o endurecimento penal e a restauração da ordem no centro de suas campanhas, informa a Folha de São Paulo.

O levantamento indica que, em diversos países latino-americanos, a disputa eleitoral passou a funcionar como uma espécie de consulta popular sobre segurança e autoridade estatal. Medeiros não incluiu no estudo os casos de Venezuela, Cuba e Nicarágua, sob o argumento de que os processos eleitorais nesses países foram contestados.

Entre os exemplos apontados pelo pesquisador está a eleição de Abelardo de la Espriella, escolhido neste domingo (21) para presidir a Colômbia. Advogado de extrema-direita, ele fez campanha prometendo uma ofensiva militar contra o narcotráfico e a construção de dez megaprisões, propostas alinhadas ao discurso de enfrentamento direto ao crime organizado.

Para Medeiros, a reeleição de Nayib Bukele em El Salvador, em 2024, teve papel decisivo na consolidação da chamada política de tolerância zero como ativo eleitoral na região. O modelo salvadorenho passou a ser citado por candidatos de diferentes países como referência para propostas de segurança baseadas em prisões de alta capacidade, fortalecimento policial e maior presença do Estado em áreas vulneráveis.

A influência dessa agenda também apareceu na Costa Rica. Neste ano, Laura Fernández venceu a eleição presidencial defendendo a construção de prisões inspiradas no modelo adotado em El Salvador. Segundo o levantamento, a mesma lógica se repetiu em campanhas no Chile, na Bolívia, no Equador e em Honduras, reforçando a centralidade do tema na disputa política regional.

No Brasil, a pauta também aparece em propostas eleitorais. O plano de segurança apresentado pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) prevê a construção de cinco novos presídios de segurança máxima e menciona o modelo de El Salvador como referência. A presença desse tipo de proposta indica que o debate sobre criminalidade e ordem pública tende a ganhar peso no cenário eleitoral brasileiro.

"Com a violência no centro da preocupação social, cresce a demanda por líderes que prometem endurecimento penal, fortalecimento policial, combate direto ao crime organizado e retomada da autoridade estatal em áreas vulneráveis", afirmou Murilo Medeiros.

O cientista político avalia que a combinação entre insegurança pública e percepção de falhas do Estado ajuda a explicar a força eleitoral desse discurso. Para ele, corrupção e segurança passaram a ocupar lugar central nas campanhas latino-americanas por dialogarem diretamente com a sensação de perda de controle estatal e com a cobrança por respostas imediatas. "São sintomas capazes de impactar as eleições de outubro no Brasil", concluiu Medeiros.

A leitura do pesquisador aponta que a segurança pública deixou de ser apenas uma pauta setorial e passou a organizar narrativas eleitorais em diferentes países da América Latina. Nesse contexto, candidatos que associam suas plataformas ao combate ao crime organizado e à restauração da autoridade estatal têm encontrado terreno fértil em sociedades marcadas pelo medo da violência e pela insatisfação com a capacidade de resposta das instituições.

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