Petro e Lula discutem crise na Venezuela em telefonema
Presidentes discutiram riscos do uso da força na região e reafirmaram cooperação regional
247 - O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, telefonou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na tarde desta quinta-feira (8) para tratar da situação na Venezuela, alvo de um ataque por forças militares dos Estados Unidos que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro. Durante a conversa, os dois chefes de Estado manifestaram preocupação com a escalada de tensões envolvendo o país vizinho e os possíveis impactos para a estabilidade da região.
Segundo comunicado oficial divulgado pela Presidência da República do Brasil, os mandatários manifestaram preocupação com o uso da força contra um país sul-americano, classificando esse tipo de ação como uma violação do direito internacional, da Carta das Nações Unidas e da soberania da Venezuela.
Preocupação com o uso da força
Lula e Petro destacaram que iniciativas militares representam um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regionais, além de afetarem a ordem internacional. Para ambos, esse cenário amplia os riscos de instabilidade em toda a América do Sul.
Defesa de uma saída pacífica
Os presidentes concordaram que a situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, com base na negociação, no diálogo e no respeito à vontade do povo venezuelano. Nesse sentido, eles saudaram o anúncio feito pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela sobre a liberação de presos nacionais e estrangeiros.
Apoio humanitário à Venezuela
Durante a conversa, o presidente Lula informou que, a pedido da Venezuela, o Brasil está enviando 40 toneladas de insumos e medicamentos. O material integra um total de 300 toneladas já arrecadadas e será utilizado para recompor estoques de produtos e soluções para diálise que estavam armazenados em um centro de abastecimento atingido por bombardeios ocorridos no dia 3 de janeiro.
Cooperação regional e migração
Brasil e Colômbia reafirmaram ainda a intenção de manter a cooperação em favor da paz e da estabilidade na Venezuela, país com o qual compartilham extensas fronteiras. Os dois líderes também recordaram o acolhimento de expressivos contingentes de migrantes venezuelanos nos últimos anos, destacando a dimensão humanitária da crise e seus reflexos regionais.



