Presidente da Assembleia Nacional venezuelana agradece esforço de Lula pela libertação de presos no país
Jorge Rodríguez reconheceu papel do governo Lula que., segundo ele, respondeu prontamente a uma solicitação da presidente interina da Venezuela
247 - O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira (8) a libertação de um número significativo de presos políticos no país, em decisão que foi interpretada pelo governo brasileiro como resultado direto da pressão diplomática exercida por Brasília nos últimos anos. O anúncio foi feito durante declarações à imprensa no Palácio Legislativo, em Caracas, segundo o jornal O Globo.
De acordo com autoridades brasileiras familiarizadas com o tema, a liberação dos detentos representa uma conquista de uma demanda persistente do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que vinha cobrando medidas humanitárias por parte do governo venezuelano como condição para a normalização das relações bilaterais e regionais.
Pressão diplomática brasileira
Representantes do Ministério das Relações Exteriores revelam que a diplomacia brasileira trabalhou de forma contínua para convencer o governo de Nicolás Maduro de que a soltura de opositores presos era imprescindível para criar um ambiente de confiança política e reduzir as tensões internas no país caribenho. Os esforços diplomáticos se intensificaram especialmente a partir de meados de 2024, quando Maduro foi proclamado presidente eleito sem jamais ter apresentado as atas eleitorais que comprovariam sua vitória.
A estratégia brasileira foi defendida em diversos fóruns, tanto em encontros bilaterais quanto em reuniões multilaterais e iniciativas de mediação. Um embaixador de alto escalão do Itamaraty destacou que o país buscou atuar como intermediário aberto ao diálogo, porém mantendo firme a defesa de valores fundamentais como direitos humanos, convivência pacífica e estabilidade regional.
Anúncio oficial e agradecimentos
Durante o anúncio oficial, Jorge Rodríguez enfatizou que a decisão foi tomada de maneira unilateral pelo governo bolivariano, sem qualquer tipo de negociação com outras forças políticas, e que teve como objetivo promover a convivência pacífica no país. O parlamentar também informou que as libertações já estavam em andamento desde aquele momento.
O presidente da Assembleia Nacional fez questão de agradecer nominalmente ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, ao ex-presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e ao governo do Catar, que, segundo suas palavras, responderam prontamente a uma solicitação da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, para colaborar com o processo de libertação.
Intervenção militar dos EUA
O anúncio ocorre em um momento crítico para a Venezuela, após uma intervenção militar dos Estados Unidos no país. No último sábado, por determinação do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, forças militares estadunidenses realizaram uma operação no território venezuelano que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores. Ambos foram levados para os Estados Unidos para responder por acusações de narcotráfico e outros crimes.
Detalhes sobre as libertações
Embora Jorge Rodríguez não tenha especificado o número exato de pessoas que serão libertadas nem revelado a identidade dos beneficiados, a medida é compreendida por analistas como uma tentativa do governo venezuelano de aliviar as tensões tanto no cenário interno quanto nas relações externas do país.
Autoridades venezuelanas informaram anteriormente que cerca de 2.000 pessoas foram detidas por envolvimento nos protestos ocorridos após a última eleição, entre elas ao menos 86 estrangeiros. O governo da Venezuela rejeita a caracterização desses detidos como presos políticos.



