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Presidente de Cuba defende Raúl Castro após denúncia dos EUA: "manobra política sem qualquer fundamento"

Miguel Díaz-Canel acusa Washington de distorcer episódio de 1996 para justificar escalada contra Havana e afirma que Cuba agiu em "legítima defesa"

Presidente de Cuba defende Raúl Castro após denúncia dos EUA: "manobra política sem qualquer fundamento" (Foto: Adalberto Roque/Pool via REUTERS / REUTERS/Norlys Perez)
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247 - O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta quarta-feira (20) que a acusação apresentada pelos Estados Unidos contra o ex-mandatário cubano Raúl Castro é uma "manobra política sem qualquer fundamento jurídico". Em publicação nas redes sociais, Díaz-Canel saiu em defesa do líder revolucionário e afirmou que a medida anunciada pelo governo de Donald Trump busca justificar ações hostis contra a ilha caribenha. As informações são do Metrópoles.

"A suposta acusação contra o general do Exército Raúl Castro Ruz, recém-anunciada pelo governo dos EUA, apenas revela a arrogância e a frustração que os representantes do império sentem em relação à inabalável determinação da Revolução Cubana", escreveu o presidente cubano.

Segundo Díaz-Canel, os Estados Unidos "mentem e distorcem" os fatos relacionados ao abate, em 1996, de duas aeronaves ligadas à organização Brothers to the Rescue. O presidente cubano afirmou que Cuba atuou "em legítima defesa" após sucessivas violações do espaço aéreo do país.

"Em 24 de fevereiro de 1996, Cuba agiu em legítima defesa dentro de suas águas territoriais, após repetidas e perigosas violações de nosso espaço aéreo por terroristas notórios", declarou.

Na mesma publicação, Díaz-Canel afirmou ainda que Raúl Castro possui "estatura ética" e um "espírito humanista", o que, segundo ele, impediria qualquer tentativa de difamação contra o ex-presidente cubano.

Acusações dos EUA

As acusações apresentadas pelos Estados Unidos contra Raúl Castro incluem conspiração para matar cidadãos estadunidenses, destruição de aeronaves e homicídio. O ex-presidente cubano, de 94 anos, é acusado de ter ordenado o ataque contra duas aeronaves civis ligadas ao grupo cubano-estadunidenses Brothers to the Rescue.

O episódio resultou na morte de quatro pessoas, entre elas três cidadãos dos Estados Unidos. O caso amplia a tensão diplomática entre Washington e Havana em meio ao endurecimento da política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra governos progressistas na América Latina.

A denúncia também elevou especulações sobre uma possível agressão mais ampla dos EUA, em referência ao sequestro do líder chavista Nicolás Maduro, atualmente detido ilegalmente em Nova York. Trump já havia declarado em março que Cuba "vai cair muito em breve" e afirmou que poderia "fazer o que quiser" em relação ao país.

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