Rússia reafirma apoio à soberania de Cuba e critica pressão dos EUA
Em conversa com o chanceler cubano, Sergey Lavrov defende direito de Havana escolher seu rumo e rejeita medidas econômicas e políticas impostas pelos EUA
247 - O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, reiterou o apoio de Moscou ao direito de Cuba de definir seu próprio modelo de desenvolvimento sem sofrer pressões externas. A posição foi expressa durante uma conversa telefônica com o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, realizada na quinta-feira (12).
De acordo com informações divulgadas pela Telesur, com base em dados do Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa, Lavrov aproveitou o diálogo para reafirmar a oposição do governo russo às políticas de pressão econômica e política exercidas pelos Estados Unidos contra a ilha caribenha.
Durante a conversa, o chefe da diplomacia russa manifestou solidariedade ao povo cubano e destacou o respaldo de Moscou à defesa da soberania do país. O contato entre os dois chanceleres também serviu para avançar na organização da 23ª sessão da Comissão Intergovernamental Rússia–Cuba, prevista para ocorrer em abril, em território russo.
A articulação diplomática ocorre em um contexto de fortalecimento das relações bilaterais entre Havana e Moscou. Em fevereiro, Bruno Rodríguez realizou uma visita de trabalho à capital russa, Moscou, onde manteve reuniões com Lavrov para reforçar a cooperação entre os dois países em meio a um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e sanções.
Durante essa visita oficial, Lavrov reiterou a solidariedade russa e destacou que seu país continuará oferecendo apoio consistente ao governo e ao povo cubano na defesa da soberania e da segurança nacional.
Na mesma linha, o chanceler russo também criticou a postura de Washington em relação à ilha e defendeu que as divergências sejam tratadas por meio de diálogo respeitoso, e não por meio de medidas coercitivas. Lavrov ainda rejeitou acusações dos Estados Unidos de que as relações entre Rússia e Cuba representariam uma ameaça à segurança norte-americana.
O tema ganhou novo peso após uma decisão recente do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou Cuba como uma suposta “ameaça incomum e extraordinária”, em uma ordem executiva assinada pelo chefe da Casa Branca no final de janeiro determinando a imposição de tarifas a produtos provenientes de países que fornecem petróleo à ilha.No documento, intitulado “Abordando as ameaças do governo de Cuba aos Estados Unidos”, o governo norte-americano menciona as relações de Havana com países como Rússia e China e afirma que “Cuba abriga descaradamente adversários perigosos dos Estados Unidos”.
A medida ampliou as tensões diplomáticas em torno da política norte-americana para a ilha, enquanto Cuba e Rússia seguem reforçando sua cooperação política e econômica em meio às restrições impostas por Washington.


