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Secretário do Interior dos EUA se reúne com Delcy Rodríguez na Venezuela

Visita em Caracas ocorre após sequestro de Nicolás Maduro e em meio a negociações sobre investimentos em petróleo e mineração

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, reúne-se com o secretário do Interior dos Estados Unidos, Doug Burgum, com o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, presente na sala, em Caracas, Venezuela, em 4 de março de 2026 (Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria)

Reuters - A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, reuniu-se nesta quarta-feira (4) à tarde com o secretário do Interior dos Estados Unidos, Doug Burgum, após a chegada do representante estadunidense ao país sul-americano no início do dia. O encontro, realizado no Palácio de Miraflores, em Caracas, foi brevemente filmado por veículos de imprensa.

Os dois se reuniram na presença da representante dos EUA na Venezuela, Laura Dogu. Mais cedo, Burgum encontrou-se com executivos de empresas estrangeiras de mineração, segundo duas fontes, enquanto o governo interino venezuelano avalia mudanças nas regras do setor mineral.

A visita integra os esforços dos EUA para abrir a Venezuela ao investimento estadunidense, especialmente nas áreas de petróleo, gás e minerais, enquanto o governo Trump tenta ampliar o controle sobre o país após a agressão de janeiro que sequestrou o presidente Nicolás Maduro. Trata-se da segunda visita de um secretário de gabinete dos EUA desde a destituição de Maduro, que buscava apoio de países como China e Rússia.

Publicamente, Trump elogiou Rodríguez por cooperar com os Estados Unidos e classificou a Venezuela como "nossa nova amiga e parceira" em seu discurso anual sobre o Estado da União. Nos bastidores, porém, o governo Trump tem intensificado a pressão, construindo um caso jurídico contra Rodríguez que pode incluir acusações de corrupção e lavagem de dinheiro, informou a Reuters na terça-feira, citando quatro fontes com conhecimento do assunto.

Burgum, que também preside o Conselho de Dominância Energética dos EUA — voltado ao aumento da produção energética americana —, está na Venezuela para discutir cadeias de suprimento de minerais críticos, informou em publicação na rede X a Unidade de Assuntos da Venezuela, como é conhecida a missão diplomática dos EUA no país.

Reformas na lei de mineração

A Assembleia Nacional da Venezuela prepara uma reforma da principal lei de mineração do país, incluindo dispositivos que permitiriam a empresas estrangeiras explorar ouro, diamantes e terras raras, afirmou nesta semana Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento e irmão de Delcy Rodríguez. A legislação mineral vigente data de 1999.

A Venezuela "deve" bilhões de dólares a conglomerados industriais e a empresas de petróleo e mineração após ondas de nacionalizações ocorridas há duas décadas, incluindo débitos com Crystallex, Gold Reserve e Rusoro Mining.

Segundo as fontes ouvidas pela Reuters, Burgum acompanha de perto a proposta de reforma da lei de mineração e reuniu-se na manhã de quarta-feira com diversas empresas do setor. Ele também deve se encontrar com companhias de petróleo e gás na quinta-feira para discutir expansão e investimentos. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, visitou o país no mês passado.

Ainda não foram realizadas explorações na Venezuela que confirmem reservas de terras raras — grupo de 17 metais pouco abundantes utilizados na fabricação de ímãs que convertem energia em movimento. As terras raras fazem parte do conjunto de minerais críticos, cuja produção global é amplamente concentrada na China.

Um relatório do governo venezuelano de 2018 sobre depósitos minerais utilizou de forma intercambiável termos técnicos do setor, como "reserva" e "recurso", dificultando a verificação das quantidades reais existentes. Um mapa oficial publicado em 2021 indicou reservas de antimônio, cobre, níquel, coltan, molibdênio, magnésio, prata, zinco, titânio, tungstênio e urânio, mas não especificou volumes.

No âmbito de acordos bilaterais, empresas iranianas exploraram recursos minerais no país nos últimos anos, mas as iniciativas não resultaram em investimentos.

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