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Sheinbaum nega participação dos EUA em operação contra cartel

Presidente do México rebate versão do governo dos Estados Unidos sobre ação que matou líder do CJNG e detalha cooperação em inteligência

Claudia Sheinbaum (Foto: REUTERS/Henry Romero)

247 - A presidente do México, Claudia Sheinbaum, negou que forças norte-americanas tenham participado da operação que resultou na captura e morte de Nemesio Oseguera, conhecido como “El Mencho”, apontado como chefe de um dos cartéis mais poderosos do país. Ao comentar o caso nesta segunda-feira (23), a mandatária afirmou que não houve envolvimento direto de agentes estrangeiros na ação.

A declaração ocorre após o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sustentar que houve apoio norte-americano na operação. Mais cedo, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que os Estados Unidos forneceram suporte de inteligência e parabenizou o Exército mexicano “por sua cooperação e pela execução bem sucedida”.

Diante das declarações, Sheinbaum foi categórica ao afastar a hipótese de atuação direta de tropas estrangeiras. “Não há participação na operação por parte das forças dos Estados Unidos; o que há é muita troca de informações”, afirmou. A presidente ressaltou que existe cooperação entre os dois países na área de segurança, especialmente no intercâmbio de dados de inteligência, mas reforçou que a condução da ofensiva foi responsabilidade das forças mexicanas.

Enquanto a chefe de Estado falava à imprensa, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou uma rede social para afirmar que o México “precisa intensificar seus esforços contra os cartéis e as drogas”. O governo norte-americano vinha pressionando o país vizinho a ampliar o combate às organizações criminosas, chegando a ameaçar ações militares contra esses grupos caso considerasse os resultados insuficientes.

A operação contra “El Mencho” desencadeou uma onda de violência em diferentes regiões do México. Estradas foram bloqueadas com veículos incendiados, aulas foram suspensas e estabelecimentos comerciais sofreram ataques. Apesar do cenário de tensão, Sheinbaum declarou que o país amanheceu com todas as vias liberadas e classificou o momento como de “paz e normalidade”.

O secretário da Defesa do México, Ricardo Trevilla, detalhou a ofensiva. De acordo com o militar, as informações que permitiram localizar o líder do cartel teriam sido obtidas por meio de uma parceira romântica do criminoso. As Forças Armadas rastrearam a mulher até Tapalpa, no estado de Jalisco, região onde o cartel foi fundado e mantém sua base de atuação. O encontro entre os dois estaria marcado para o local.

“El Mencho” foi localizado em 20 de fevereiro. Conforme relatou Trevilla, no momento em que a operação teve início, a equipe de segurança do traficante reagiu com disparos, em “um ataque muito violento”. O líder do cartel conseguiu fugir inicialmente, mas o Exército estabeleceu um cerco e iniciou perseguição na área. Ele foi encontrado entre arbustos, acompanhado de dois seguranças, todos gravemente feridos.

Os militares solicitaram transferência urgente para atendimento médico, porém os três morreram durante o trajeto. A ação terminou com 30 criminosos e 27 agentes mortos. Ao menos 70 pessoas foram presas em diferentes pontos do país, segundo o balanço oficial apresentado pelas autoridades mexicanas.

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