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Terremotos na Venezuela deixam mais de 230 mortos e quase 50 mil desaparecidos

Terremotos na Venezuela atingem Caracas e La Guaira. Milhares estão desabrigados

Escombros deixados por terremotos na Venezuela (Foto: Reuters/Maxwell Briceno)
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247 - Os terremotos na Venezuela que atingiram Caracas, La Guaira e regiões próximas deixaram ao menos 235 mortos, milhares de desabrigados e quase 50 mil pessoas sem contato, enquanto equipes de resgate trabalham sem parar em áreas destruídas pelos tremores de magnitude 7,2 e 7,5 registrados na quarta-feira (24), segundo a Reuters.

O governo venezuelano informou que 235 corpos foram levados a centros médicos, mas ainda não apresentou uma estimativa total de vítimas. Um site criado para registrar desaparecidos listava mais de 49,6 mil pessoas sem paradeiro conhecido. O Serviço Geológico dos Estados Unidos projetou a possibilidade de mais de 10 mil mortes.

As operações de busca atravessaram a madrugada desta sexta-feira (26) em meio a prédios colapsados, falta de energia e dificuldades de acesso. Bombeiros, soldados, moradores e voluntários procuravam sobreviventes entre escombros, em alguns casos com as próprias mãos e lanternas, enquanto equipes estrangeiras começavam a chegar ao país.

Em La Guaira, cidade costeira próxima a Caracas e onde fica o principal aeroporto da Venezuela, a destruição atingiu edifícios residenciais e deixou famílias inteiras sem abrigo. A região está entre as mais afetadas pelos tremores.

“Ele está debaixo das lajes e não há máquinas para tirá-lo”, afirmou Yamileth Jimenez, referindo-se ao filho de 19 anos, preso nos destroços de um prédio de sete andares em La Guaira.

A tragédia ocorre em um país já enfraquecido por anos de crise econômica, deterioração de serviços públicos e infraestrutura precária. Grande parte da população vive em áreas vulneráveis, incluindo bairros construídos em encostas, onde casas frágeis sofreram danos severos com os abalos.

“Meu prédio está inabitável e agora não tenho nada. Somos só eu e meu filho, e não tenho família no país”, disse Suhayl Sarquiz, de 50 anos, que havia perdido o emprego meses antes.

O impacto também atingiu famílias que já enfrentavam condições de vida difíceis. “É uma tragédia”, declarou Beatriz Rodriguez, de 60 anos. Segundo ela, um sobrinho teve as pernas amputadas após ser esmagado nos terremotos, enquanto outro morreu.

O governo confirmou danos ou destruição em 250 edifícios. Ao menos oito hospitais, a Cruz Vermelha Venezuelana e a embaixada da França estavam entre as estruturas relatadas como gravemente afetadas. A Organização Internacional para as Migrações, agência da ONU, estimou que quase 7 milhões de pessoas podem ter sido impactadas e iniciou o envio de abrigos emergenciais e suprimentos de ajuda humanitária.

Nas ruas de La Guaira, moradores passaram a dormir ao relento. Voluntários desceram pela rodovia Caracas-La Guaira levando água, alimentos e medicamentos. “Perdemos tudo”, afirmou Pedro Perez, de 64 anos, dono de uma oficina de estofados que perdeu a casa e o negócio. Ele disse estar dormindo na rua com a mulher e os filhos. “Esperamos que a ajuda chegue rapidamente".

Perto do epicentro, em Morón, cidade litorânea no estado de Carabobo, casas desabaram e moradores ficaram sem água e eletricidade. Famílias tentavam retirar o que ainda era possível dos imóveis danificados, incluindo colchões, televisores e máquinas de lavar.

A dimensão da catástrofe levou países de diferentes alinhamentos políticos a prometer ajuda à Venezuela, mesmo alguns que mantiveram relações tensas com Caracas ao longo de décadas de isolamento internacional, repressão política e crise econômica sob o Partido Socialista governante.

A presidente interina Delcy Rodriguez agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, pelos esforços de apoio.

Washington flexibilizou sanções para permitir o envio de ajuda humanitária que, de outra forma, poderia estar bloqueada. Trump afirmou que os Estados Unidos estavam “prontos, dispostos e aptos a ajudar”. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse que Washington enviaria equipes de resgate, enquanto o Pentágono apoiaria a logística e auxiliaria o aeroporto danificado de Caracas.

Rodriguez divulgou imagens da chegada de militares mexicanos e cães farejadores ao aeroporto internacional de La Guaira, que funcionava apenas para voos estatais e militares. Outros carregamentos de ajuda entraram pelos aeroportos de Maracay e Valencia.

O chefe humanitário da ONU, Tom Fletcher, afirmou que a organização coordenava equipes internacionais de busca e resgate e que seria necessário “um esforço coletivo massivo” em um país onde 8 milhões de pessoas já precisavam de assistência humanitária antes do terremoto.

“As primeiras horas são críticas para salvar vidas”, disse Ciro Ugarte, diretor de emergências da Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde. Segundo ele, hospitais atendiam dezenas de pessoas com fraturas e queimaduras.

A Starlink, da SpaceX, informou que fornecerá serviço gratuito até 25 de julho para clientes novos e existentes nas áreas afetadas e que trabalhava para instalar terminais nas zonas mais atingidas, a fim de ajudar a restabelecer as comunicações.

No setor petrolífero, considerado vital para a economia venezuelana, empresas estrangeiras de energia disseram não ter registrado grandes interrupções em suas operações. A infraestrutura de petróleo, segundo os relatos iniciais, parece ter sido em grande parte poupada.

A Bolsa de Valores de Caracas permaneceu fechada e foi transformada em centro de coleta de doações. Até agora, o terremoto mais letal da história moderna da Venezuela havia sido o de 1967, que deixou 240 mortos.

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