Trump busca mudança de regime através do sofrimento do povo cubano, diz presidente da Casa de las Américas
Intelectual cubano afirma que presidente dos Estados Unidos aposta em pressão econômica, guerra psicológica e desinformação para tentar desestabilizar Cuba
247 - O presidente da Casa de las Américas, Abel Prieto, afirmou que a política adotada por Washington contra Cuba busca provocar o sofrimento da população como forma de pressionar por uma mudança política no país. Segundo ele, as recentes medidas anunciadas pelo governo norte-americano aprofundam uma estratégia histórica de cerco econômico que não tem como alvo apenas o governo cubano, mas toda a sociedade.
As declarações foram dadas em entrevista à Telesur nesta terça-feira (9). Ao comentar o decreto assinado por Donald Trump, que impõe tarifas a países que comercializam petróleo com Cuba, Prieto avaliou que se trata de mais um passo em uma política contínua de hostilidade. Para o intelectual, “de Eisenhower a Trump, a política sempre foi a mesma: pressionar para sufocar esse povo”.
Prieto sustentou que o objetivo central dessas ações é a chamada “mudança de regime”, a partir da deterioração das condições de vida. “A famosa mudança de regime é o que querem Trump e Marco Rubio e essa cúpula corrupta e pedófila. O que querem é a mudança de regime a partir do sofrimento que causam ao povo cubano”, afirmou. Ele ressaltou que a principal vítima dessa estratégia é “o povo inteiro, submetido a uma pressão asfixiante”.
Ao analisar o momento atual, o presidente da Casa de las Américas lembrou que a sociedade cubana já enfrentou conjunturas extremamente adversas ao longo de sua história. “É um povo acostumado a condições difíceis… viveu a crise de outubro, a invasão de Girón, a Lei Torricelli, a Helms-Burton, o colapso do socialismo na Europa. São momentos muito duros, muito difíceis, muito dolorosos”, disse. Ainda assim, destacou que a resposta continua firme: “Está respondendo com a dignidade de sempre”.
Durante a entrevista, Prieto também agradeceu as manifestações de apoio vindas do exterior. “A posição da China, da Rússia e de outros países que se mostraram de forma muito decisiva em relação a Cuba neste momento é importante”, afirmou, ao mencionar a solidariedade internacional diante do novo ciclo de sanções.
Segundo ele, internamente, a reação tem sido de unidade e mobilização. Prieto citou as grandes manifestações populares ocorridas recentemente como um recado direto a Washington. “Este povo fez uma demonstração extraordinária… houve manifestações maciças que eram mensagens evidentes para o governo dos Estados Unidos”, declarou, mencionando atos como a Marcha das Tochas, que simbolizam a resistência e a coesão social.
O dirigente cultural reiterou que Cuba não rejeita o diálogo, desde que ele ocorra em bases de respeito e igualdade. “Estamos dispostos a dialogar de igual a igual, sem condicionamentos. Sem que os princípios estejam na mesa de negociação”, afirmou, alinhando-se à posição expressa pelo presidente Miguel Díaz-Canel e pela Revolução. Ao mesmo tempo, advertiu que Havana observa com “muita suspeita” qualquer aceno da atual administração norte-americana, por considerar que a estratégia real segue sendo a de chantagem e divisão. “Isso não vão conseguir”, enfatizou.
Prieto dedicou parte de suas declarações a denunciar o que chamou de uso sistemático da mentira como instrumento político por parte dos Estados Unidos. “A mentira tem sido uma das principais armas dos nossos inimigos. Agora nos acusam de patrocinar terroristas, de ter contato com agrupações terroristas. Isso é falso. De ter bases militares de outros países aqui. Tudo isso é falso”, afirmou. Para ele, trata-se de uma prática reiterada de desinformação: “Uma mentira atrás da outra, o tempo todo”.
Nesse contexto, o intelectual lembrou que Cuba tem sido historicamente vítima de ações violentas. “Cuba foi vítima do terrorismo. A lista de vítimas do terrorismo de Estado promovido pelos Estados Unidos é muito longa. Ensaiaram contra nós guerra biológica, as coisas mais atrozes”, disse. Ele criticou duramente a inclusão do país em listas norte-americanas de Estados patrocinadores do terrorismo, classificando-as como “verdadeiramente infames”.
Prieto também alertou para o avanço de uma ofensiva no campo digital, que classificou como parte de uma guerra cognitiva, simbólica e psicológica. “Tudo isso faz parte do armamento cotidiano através das redes sociais”, afirmou, ao mencionar campanhas que estimulam sentimentos anexionistas e a circulação de memes que apresentam Trump “como um líder salvador, uma espécie de Messias que virá salvar”.
Apesar desse cenário, o presidente da Casa de las Américas avaliou que o resultado tem sido oposto ao pretendido por Washington. Segundo ele, “o ataque uniu mais o povo cubano”, que respondeu “com mais patriotismo, com mais dignidade, com mais espírito de combate”.
Ao concluir, Prieto evocou palavras de Fidel Castro sobre a necessidade de “ter consciência do momento histórico”. Ele destacou o papel das novas gerações e defendeu que a sociedade cubana siga transmitindo “uma forte mensagem de unidade, dignidade, amor e compromisso com a soberania, diante do ódio e das mentiras”.


