Trump diz que fará ataques terrestres contra cartéis de drogas no México
Presidente dos Estados Unidos afirma que nova estratégia mira rotas em terra e acusa cartéis de controlar o país vizinho
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo norte-americano pretende realizar ataques terrestres contra cartéis de drogas que atuam no México. A declaração foi feita na noite de quinta-feira (8), durante entrevista concedida à emissora Fox News, em meio ao endurecimento da política de segurança adotada por Washington na região.
Trechos da entrevista foram reproduzidos pelo portal Metrópoles. Trump afirmou que as ações militares representam uma mudança de foco no combate ao tráfico, após avanços no controle das rotas marítimas. Segundo ele, o próximo passo será intensificar operações em terra contra as organizações criminosas.
“Nós eliminamos 97% das drogas que entram por água. E agora vamos começar a atacar por terra em relação aos cartéis. Os cartéis estão comandando o México. É muito, muito triste assistir e ver o que aconteceu com aquele país. Mas os cartéis mandam e estão matando 250, 300 mil pessoas no nosso país todos os anos. As drogas — é horrível. Devastaram famílias. Você perde um filho ou um pai. Quero dizer, pais também estão morrendo por causa das drogas”, declarou Trump.
As falas ocorrem em um contexto de escalada da presença militar dos Estados Unidos na América Latina. Menos de uma semana antes, forças especiais norte-americanas realizaram uma operação em território venezuelano que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, levados posteriormente para os Estados Unidos, onde respondem a acusações como narcotráfico na Justiça norte-americana. O governo da Venezuela informou que cerca de 100 pessoas morreram durante a ação, incluindo civis e militares.
Horas antes das falas de Trump sobre o México, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que seu país mantém cooperação em segurança com os Estados Unidos, mas rejeitou qualquer violação da soberania nacional. “Não queremos lutar com os Estados Unidos”, disse ela, ao destacar parcerias com o Comando Norte e com agências norte-americanas, além da defesa do território mexicano. Até a última atualização da reportagem, o governo do México não havia se pronunciado oficialmente sobre a declaração do presidente norte-americano.
Após a operação na Venezuela, Donald Trump também fez declarações contra a Colômbia, afirmando que o país estaria “governado por um homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos”, em referência ao presidente Gustavo Petro, e sugeriu que uma ação militar no país “soa bem”. Na quarta-feira (7), Trump e Petro conversaram por telefone pela primeira vez desde o início do atual mandato do norte-americano.
Segundo Petro, a ligação durou cerca de uma hora e abordou principalmente a situação na Venezuela e o combate ao narcotráfico. “Obviamente, eu estava apreensivo. Na conversa, toquei em dois temas para não prolongar demais e fiz um pedido: que sejam restabelecidas as comunicações diretas entre as chancelarias e os presidentes. Se não houver diálogo, há guerra. Se não houver conversa, estamos perdidos”, afirmou o presidente colombiano durante discurso em uma manifestação em Bogotá.
Trump confirmou o telefonema em publicação na rede Truth Social. “Foi uma grande honra conversar com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que telefonou para explicar a situação das drogas e outras divergências que temos tido”, escreveu. Ele acrescentou que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, trabalha para alinhar uma reunião entre os dois líderes na Casa Branca, com a presença do chanceler colombiano.
Desde setembro de 2025, o governo Trump vem intensificando ataques militares contra embarcações que afirma serem utilizadas por traficantes de drogas ou por grupos classificados como “narcoterroristas”. Em outubro, o presidente declarou oficialmente que os Estados Unidos estão em guerra contra os cartéis de drogas. As ações têm ocorrido em águas internacionais, especialmente no Mar do Caribe e no Pacífico oriental, em rotas entre a Venezuela e outros países da América Latina.
O primeiro ataque relatado ocorreu em 2 de setembro de 2025, quando uma pequena embarcação foi atingida no Caribe sob acusação de transportar drogas ligadas a um grupo venezuelano. Segundo Trump, 11 pessoas morreram nessa operação. Levantamentos de organizações independentes e de veículos internacionais indicam que, até dezembro de 2025, ao menos 26 ataques contra embarcações suspeitas foram registrados, resultando entre 75 e 95 mortes.
O governo dos Estados Unidos sustenta que essas operações fazem parte de uma campanha contra o narcotráfico transnacional e que os grupos atingidos representam uma ameaça direta à segurança do país, classificando as ações como uma forma legítima de combate ao tráfico em alto-mar.



