Trump parabeniza De la Espriella por vitória apertada na Colômbia, enquanto esquerda aguarda verificação oficial
Candidato da extrema-direita afirma ter recebido ligação do presidente dos EUA e cobra respeito ao resultado eleitoral ainda contestado por Iván Cepeda
247 – O candidato da extrema-direita Abelardo de la Espriella afirmou ter recebido uma ligação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parabenizando-o pela vitória na eleição presidencial da Colômbia, em um resultado preliminar marcado por margem inferior a 1 ponto percentual e ainda contestado pela esquerda.
As informações são de Julia Symmes Cobb e de Marcia Carmo, enviada especial a Bogotá. Segundo dados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), com 99,70% das mesas eleitorais apuradas, De la Espriella recebeu 49,65% dos votos, contra 48,71% do candidato da esquerda, Iván Cepeda. A diferença é de cerca de 245 mil votos.
Em transmissão em seu próprio canal no YouTube, De la Espriella disse que Trump o parabenizou pelo resultado. O candidato afirmou ter conversado por telefone com o presidente dos Estados Unidos e declarou que “outros presidentes do mundo” também o cumprimentaram.
“Devemos todos respeitar estes resultados eleitorais”, disse De la Espriella durante a transmissão. “E muitos países já estão se manifestando”, acrescentou.
A declaração ocorre em meio a um impasse político. De la Espriella lidera por menos de 1 ponto percentual, com quase todas as urnas apuradas, mas Cepeda afirmou que aguardará a verificação obrigatória dos boletins de cada seção eleitoral antes de reconhecer o resultado final.
De la Espriella fala em derrota do “regime”
Durante a transmissão, De la Espriella adotou um tom de vitória e afirmou que o resultado representaria uma derrota do governo de Gustavo Petro e das forças políticas que apoiaram Cepeda.
“O povo colombiano, as massas, se manifestaram e derrotamos o regime”, disse o candidato da extrema-direita.
Conhecido por gostar de ser chamado de “O Tigre”, De la Espriella é admirador de Donald Trump, de Javier Milei e de Flávio Bolsonaro. Caso a vitória seja confirmada após o escrutínio oficial, a Colômbia passará por uma mudança política significativa, encerrando o ciclo iniciado com a eleição de Petro e abrindo caminho para um governo alinhado à direita.
Cepeda aguarda verificação das atas
Iván Cepeda, candidato da esquerda, não reconheceu o resultado preliminar. Segundo as informações disponíveis, ele afirmou que aguardará a verificação exigida das atas de votação de cada posto eleitoral antes de se manifestar sobre o resultado final.
A posição de Cepeda acompanha a reação do presidente Gustavo Petro, que também defendeu cautela diante da diferença apertada. Petro declarou em suas redes sociais que “não é possível declarar nenhum presidente” neste momento e afirmou: “Somente o escrutínio determinará quem será o próximo presidente do país”.
O presidente colombiano pediu tranquilidade à população e disse que a Colômbia é hoje “um país dividido ao meio”. Petro também afirmou que “a interferência estrangeira nos tira a liberdade” e defendeu a necessidade de um “acordo nacional” para manter “a Pátria em paz”.
Apoio de Trump aumenta peso geopolítico da eleição
O telefonema de Donald Trump a De la Espriella dá dimensão internacional à disputa colombiana. O presidente dos Estados Unidos apoiou abertamente a eleição do opositor de Petro e de Cepeda, reforçando o alinhamento entre setores da extrema-direita latino-americana e Washington.
A manifestação de Trump ocorre antes da proclamação formal do resultado. Pela legislação colombiana, o resultado preliminar ainda precisa passar por uma etapa oficial de escrutínio, na qual juízes e autoridades eleitorais revisam as atas de votação para corrigir possíveis inconsistências.
A contagem oficial terá início nesta segunda-feira (22), e a declaração formal do presidente eleito está prevista para terça-feira, após a conclusão da análise das autoridades competentes.
Colômbia dividida por margem mínima
O cenário colombiano lembra outras disputas presidenciais recentes na América Latina marcadas por margens estreitas e questionamentos sobre a apuração. A diferença inferior a 1 ponto percentual entre De la Espriella e Cepeda expõe um país politicamente dividido e aumenta a pressão sobre as instituições eleitorais.
Embora a imprensa local já trate De la Espriella como presidente eleito, a oposição de esquerda e o próprio governo colombiano sustentam que apenas o escrutínio oficial poderá confirmar o vencedor.
Caso o resultado seja ratificado, a Colômbia deixará de ser governada por um presidente de esquerda e passará a ter no poder um líder da extrema-direita apoiado pelo presidente dos Estados Unidos. A transição, no entanto, começa sob tensão, com contestação política interna, forte polarização e crescente interferência internacional no debate eleitoral colombiano.



