Trump recebe medalha do Nobel de líder da extrema-direita venezuelana na Casa Branca
Presidente dos EUA afirmou que foi uma “grande honra” se encontrar com Corina Machado
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta quinta-feira (15), uma medalha do Prêmio Nobel da Paz das mãos da líder da oposição venezuelana María Corina Machado, durante um encontro realizado na Casa Branca. A iniciativa foi apresentada como um gesto político de reconhecimento e ocorreu em meio às articulações sobre os rumos da Venezuela após a recente captura de Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas, informa a Reuters. .
Segundo um funcionário do governo dos EUA, Trump pretende manter a medalha entregue por Machado.
De acordo com a reportagem, María Corina Machado classificou a reunião como “excelente”, sem fornecer maiores detalhes sobre o conteúdo das conversas. Em uma publicação feita nas redes sociais na noite de quinta-feira, Donald Trump afirmou: “Maria me presenteou com seu Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho que realizei. Um gesto maravilhoso de respeito mútuo. Obrigado, Maria!”.
Trump afirmou que foi uma “grande honra” se encontrar com Corina Machado. “Foi uma grande honra me encontrar hoje com María Corina Machado, da Venezuela. Ela é uma mulher maravilhosa, que passou por tanta coisa. María me presenteou com o seu Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho que realizei. Um gesto tão bonito de respeito mútuo. Obrigado, María!”, escreveu Trump na rede Truth Social.
A líder da oposição venezuelana explicou que a entrega da medalha representava, em sua avaliação, um reconhecimento ao que descreveu como o compromisso de Trump com “a liberdade do povo venezuelano”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma fotografia do encontro, na qual o presidente dos Estados Unidos aparece segurando uma grande moldura dourada com a medalha. O texto que acompanhava a imagem dizia: “Ao Presidente Donald J. Trump, em gratidão por sua extraordinária liderança na promoção da paz através da força”, descrevendo o gesto como um “símbolo pessoal de gratidão em nome do povo venezuelano”.
Apesar da entrega da medalha de ouro, o Instituto Nobel Norueguês esclareceu que o Prêmio Nobel da Paz permanece pertencendo a Machado, já que a honraria não pode ser transferida, compartilhada ou revogada. Questionado anteriormente sobre a possibilidade de receber o prêmio, Trump declarou à Reuters: “Não, eu não disse isso. Ela ganhou o Prêmio Nobel da Paz.” O presidente republicano já manifestou publicamente, em diversas ocasiões, o desejo de conquistar a premiação, associando-o a iniciativas diplomáticas de sua gestão.
O encontro, que durou pouco mais de uma hora, foi o primeiro entre Trump e Machado. Após a reunião na Casa Branca, a dirigente da extrema-direita venezuelana seguiu para o Capitólio, onde se encontrou com mais de uma dúzia de senadores democratas e republicanos, ambiente em que costuma encontrar maior receptividade política.
Antes da visita, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Trump aguardava o encontro, mas mantinha uma avaliação “realista” de que Machado não dispõe, neste momento, do apoio necessário para liderar a Venezuela no curto prazo.
No Congresso, o senador democrata Chris Murphy afirmou que Machado relatou aos parlamentares que a repressão no país “não é diferente agora do que era sob Maduro”. Segundo ele, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, seria uma “operadora habilidosa” que estaria se consolidando no poder com o apoio de Trump. “Espero que eleições aconteçam, mas estou cético”, declarou o senador de Connecticut.
Trump, por sua vez, tem enfatizado que sua prioridade é garantir o acesso dos Estados Unidos ao petróleo venezuelano e promover a reconstrução econômica do país. Em entrevista à Reuters, ele elogiou Rodríguez, afirmando: “Ela tem sido muito boa de lidar”. Rodríguez, que assumiu após a captura de Maduro, defendeu em discurso anual ao Parlamento a via diplomática com Washington e disse que, se precisasse viajar aos Estados Unidos, iria “andando com os próprios pés, não arrastada”. Ela também anunciou que pretende propor reformas no setor petrolífero para ampliar o acesso de investidores estrangeiros.


