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María Corina Machado: 'entreguei a medalha do Prêmio Nobel da Paz a Trump'

Assista ao vídeo em que a opositora do chavismo confirma a entrega da premiação ao presidente dos EUA

María Corina Machado e Donald Trump (Foto: Reuters/Gaby Oraa | Reuters/Kent Nishimura)

247 - Vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2025, a opositora do chavismo na Venezuela Maria Corina Machado afirmou que decidiu presentear o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a medalha recebida por ela em 10 de outubro.

"Entreguei a medalha do Prêmio Nobel da Paz ao presidente dos EUA", disse Maria Corina a jornalistas em Washington, mas não respondeu se Trump aceitou, conforme publicação da agência RT.

A oposicionista já havia bajulado Trump, ao dedicar o prêmio ao político da extrema direita dos EUA. “Estamos no limiar da vitória e hoje mais que nunca contamos com o Presidente Trump, o povo dos Estados Unidos, os povos da América Latina e as nações democráticas do mundo como nossos principais aliados para alcançar a liberdade e a democracia”, afirmou.

Sequestro de Maduro e os interesses dos EUA

Forças dos EUA sequestraram o então presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no último dia 3 de janeiro. Mesmo sem provas, o governo Trump acusa o chavista de participação em narcotráfico.

Mas o interesse dos EUA é no petróleo venezuelano. Conforme o site World Atlas, a Venezuela ficou em primeiro lugar entre os dez países com as maiores reservas de petróleo do mundo em 2024 (300,9 bilhões de barris), seguida por Arábia Saudita (266,5 bilhões de barris) e pelo Irã (208.6 bilhões).

Além de querer mais influência nas decisões da economia venezuelana sobre o petróleo, os EUA lançaram uma ofensiva contra a América do Sul. Desde o segundo semestre do ano passado, forças estadunidenses atacaram pelo menos 35 barcos que, supostamente, tinham envolvimento com o tráfico.

Estatísticas oficiais apontaram que ao menos 123 pessoas morreram por causa dos ataques, que aconteceram nas regiões do Caribe e do Oceano Pacífico, em áreas próximas do continente sul-americano.

Alerta da ONU

Três dias após o ataque, a Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que a agressão dos EUA “torna o mundo menos seguro”, disse Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.

De acordo com a porta-voz, a responsabilização por violações dos direitos humanos não pode ser feita por meio de uma intervenção militar unilateral que fere a lei internacional”. Shamdasani pontuou que as agressões dos EUA estão “longe de ser uma vitória dos direitos humanos” e afeta a soberania da Venezuela, bem como a Carta das Nações Unidas”.

A iniciativa dos EUA causa danos à "arquitetura da segurança internacional", complementou a porta-voz, dizendo que a ação militar “viola o princípio fundamental da lei, que diz que os Estados Unidos não podem ameaçar ou usar a força contra a integridade territorial ou contra a independência política de nenhum outro Estado”.

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