Venezuela altera comando da guarda presidencial após agressão militar dos EUA
Mudança ocorre depois de bombardeios norte-americanos e envolve também a contrainteligência militar venezuelana
247 - A Venezuela anunciou uma mudança no comando da Guarda de Honra Presidencial em meio a um cenário de forte tensão internacional, marcado por recentes ataques militares dos Estados Unidos contra o país. A decisão foi formalizada por decreto na segunda-feira (05) e ocorre poucos dias após os bombardeios registrados em 3 de janeiro, que deixaram dezenas de mortos e resultaram no sequestro do líder Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores. As informações são do Ópera Mundi.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, nomeou o general Gustavo González López como novo comandante da Guarda de Honra Presidencial e, simultaneamente, como coordenador da Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM). Com a decisão, González López substitui Javier Marcano Tábata no comando da guarda e assume o lugar do major-general Iván Rafael Hernández Dala na estrutura de inteligência militar.
O ministro das Comunicações, Freddy Ñáñez, comentou as nomeações em mensagem divulgada no Telegram. Segundo ele, “essas nomeações fazem parte da dinâmica de fortalecimento institucional e continuidade, visando garantir a paz, a segurança do povo e a plena validade da Constituição da República”.
Em pronunciamento transmitido ao vivo do Palácio de Miraflores, Delcy Rodríguez destacou a trajetória do novo comandante e reforçou a confiança no general. A presidente interina afirmou reconhecer González López pela “dedicação e lealdade demonstradas durante o exercício de suas funções” e reiterou sua confiança na “trajetória e vocação de serviço” do oficial.
Aos 65 anos, Gustavo González López é formado pela Academia Militar Venezuelana, onde concluiu seus estudos em 1982. Sua carreira é marcada por ampla atuação nas áreas de inteligência e segurança do Estado venezuelano. Ele comandou o Serviço Nacional de Inteligência Bolivariano (SEBIN) em dois períodos distintos, entre 2014 e 2018 e, posteriormente, de 2019 a 2024.
Além da experiência na inteligência, González López ocupou o cargo de ministro do Interior, Justiça e Paz entre 2015 e 2016. Após deixar temporariamente as funções ligadas à segurança, assumiu postos de gestão na estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) no último trimestre de 2024 e ao longo de 2025.
Desde 2015, o general figura em listas de sanções impostas pelos Estados Unidos, que atingem diversos oficiais militares e dirigentes chavistas, sob acusações de supostas violações de direitos humanos. Mesmo assim, sua nomeação reforça a estratégia do governo venezuelano de reorganizar suas estruturas de defesa e inteligência em um momento considerado crítico para a soberania e a estabilidade institucional do país.



