Venezuela anuncia moradias e ações de reconstrução após terremotos
Governo Delcy Rodríguez cria campamentos transitórios, mobiliza especialistas e recebe apoio de brigadas de 30 países após sismos de 24 de junho
247 – A presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou novas ações de reconstrução e projetos habitacionais para atender as famílias afetadas pelos terremotos registrados em 24 de junho. As informações foram divulgadas pela teleSUR.
Segundo Rodríguez, o governo instalou um Estado Maior voltado à organização de campamentos transitórios e à construção de moradias, com o objetivo de enfrentar o principal desafio deixado pelos sismos: garantir abrigo e soluções habitacionais às famílias que perderam suas casas.
“Um dos principais desafios que se derivaram deste duplo terremoto ocorrido em 24 de junho” é a atenção habitacional, afirmou Delcy Rodríguez durante o anúncio das medidas.
As autoridades venezuelanas mantêm operações de resgate em La Guaira, Miranda e Caracas, com a participação de especialistas nacionais e brigadas internacionais. Rodríguez informou a chegada de novos contingentes de socorristas de Cuba e do Vietnã. Com isso, já são 30 países atuando em território venezuelano em ações de salvamento e assistência humanitária.
Equipes de engenheiros, arquitetos e especialistas foram enviadas às áreas atingidas para avaliar a segurança das construções. O trabalho é coordenado por Francisco Garcés, presidente da Comissão Presidencial responsável pela resposta à emergência.
As inspeções seguem um sistema de classificação por cores. O verde indica imóveis habitáveis. O amarelo identifica estruturas com danos parciais, que poderão ser recuperadas pela Grande Missão Bairro Novo, Bairro Tricolor, em conjunto com a Vice-Presidência de Obras Públicas e Serviços. O vermelho aponta perda total da edificação, sem possibilidade de recuperação.
De acordo com Rodríguez, já existe uma classificação das famílias que perderam suas casas e que serão levadas para campamentos transitórios enquanto avançam as soluções definitivas. O Ministério de Habitação e Habitat também trabalha em projetos urbanos para construir milhares de moradias até o fim do ano.
O governo venezuelano informou ainda que discute, com organismos internacionais, alternativas residenciais de curto e médio prazo em terrenos considerados viáveis, seguros e sem ameaças ambientais.
Para organizar o acesso aos abrigos provisórios, o Executivo implementou um sistema de reconhecimento por impressões digitais. A medida, segundo o governo, busca regular o ingresso nos campamentos e garantir apoio logístico, descanso e atendimento às famílias cadastradas, além de pessoas que permanecem em parques públicos por medo de retornar às suas casas.
Mais cedo, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, informou que os terremotos deixaram 1.719 mortos, 5.034 feridos, 15.866 desabrigados e 22.619 pessoas afetadas. As avaliações estruturais apontam 855 edifícios atingidos, dos quais 189 colapsaram totalmente e 666 sofreram danos parciais ou graves.
O serviço elétrico em La Guaira já teve 90% de restituição, segundo as autoridades. A operação humanitária mobiliza 30 mil funcionários estatais, 10.834 voluntários inscritos, 3.319 resgatistas estrangeiros e 45 delegações internacionais.
Até o momento, 75.238 famílias receberam hidratação, alimentação, transporte, apoio psicológico e atendimento médico. O balanço inclui 12.402 pessoas atendidas em triagens ou transferidas para Caracas.
A logística de assistência contabiliza a distribuição de 7.237 toneladas de alimentos, 22.478 bolsas de comida, 754.038 litros de água e 707 toneladas de ajuda internacional. A estrutura de acolhimento inclui 15 grandes refúgios em La Guaira e 50 campamentos provisórios na Grande Caracas.
Com a instalação do Estado Maior e o reforço da cooperação internacional, o governo venezuelano busca combinar resposta emergencial, assistência humanitária e reconstrução urbana para enfrentar os impactos dos terremotos e dar destino às famílias que perderam suas moradias.



