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Venezuela diz não temer relações com os EUA e defende agenda econômica voltada ao povo, afirma Delcy Rodríguez

Presidente encarregada cita laços “históricos”, diz que Caracas debate energia e comércio com Washington e denuncia sequestro de Nicolás Maduro

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em Caracas - 11/08/2025 (Foto: REUTERS/Gaby Oraa)

247 – A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou na sexta-feira, 16 de janeiro, que Caracas “não tem medo” de estabelecer relações bilaterais com os Estados Unidos e classificou os vínculos entre os dois países como “históricos”, apesar de retrocessos acumulados ao longo dos anos.

A declaração foi publicada pela RT Brasil, após Rodríguez discursar em uma reunião com membros do Conselho Nacional de Economia Produtiva, em meio à escalada de tensões que culminou, no início do mês, em um ataque militar norte-americano e no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

“Relações históricas” e críticas à Casa Branca

Rodríguez sustentou que a Venezuela não se recusa a dialogar com Washington, mas apontou que o relacionamento bilateral foi prejudicado por leituras distorcidas sobre o país sul-americano. Em sua fala, ela afirmou:

“Não temos medo de estabelecer relações com um país deste hemisfério, com os Estados Unidos. São relações históricas, mantidas inclusive pelo nosso libertador Simón Bolívar. São relações históricas que, sem dúvida, sofreram retrocessos, acredito que devido à falta de compreensão da [Casa Branca] sobre a realidade política, econômica e social da Venezuela”.

A mensagem busca reforçar, simultaneamente, disposição para interlocução e a defesa da soberania venezuelana, especialmente num momento em que Caracas denuncia ações diretas de força por parte do governo norte-americano.

Energia, comércio e cooperação sob a condição de “serviço ao povo”

Ao tratar de temas econômicos, Rodríguez disse que Venezuela e Estados Unidos vêm discutindo “questões de energia, comércio e cooperação econômica de diversas maneiras”, mas condicionou qualquer avanço a um objetivo político claro: que os resultados atendam às necessidades internas do país.

Ela enfatizou que “essa agenda econômica deve estar a serviço do povo venezuelano”, seguindo diretrizes do presidente Nicolás Maduro, reforçando a narrativa de que a política econômica não pode ser subordinada a pressões externas.

Plano de recuperação de 2018 e aposta em produção nacional

Rodríguez também reafirmou o programa econômico apresentado por Maduro em 2018, atribuindo ao plano a capacidade de sustentar a retomada recente. Segundo ela:

“Ratificamos integralmente o programa de recuperação econômica, prosperidade e crescimento que o presidente Nicolás Maduro apresentou ao país em 2018, o qual nos permitiu chegar onde estamos; o qual permitiu que a economia venezuelana se tornasse uma das principais economias em crescimento na América Latina”.

De acordo com a presidente encarregada, o modelo prioriza a produção nacional de alimentos, bens manufaturados, medicamentos e outros itens estratégicos, por meio de uma aliança entre o setor público e entidades privadas, com foco em reduzir vulnerabilidades externas.

Investimentos, soberania e resposta ao bloqueio

No mesmo discurso, Rodríguez afirmou que a expectativa do governo é direcionar eventuais novos investimentos para ampliar a capacidade produtiva interna e consolidar o que descreveu como “expressão de soberania” econômica.

Ela relacionou essa estratégia à necessidade de enfrentar sanções e restrições impostas pelos Estados Unidos, que foram descritas como “bloqueio criminoso”, e sustentou que a recuperação produtiva teria permitido “superar as graves condições” geradas por essas medidas.

Agressão militar e sequestro de Maduro

O contexto das declarações é marcado, segundo o relato divulgado, por uma escalada abrupta no início do mês. No sábado, 3 de janeiro, os Estados Unidos teriam lançado “um ataque militar massivo em território venezuelano”, operação que terminou com o sequestro de Maduro e Flores, levados para Nova York.

Caracas classificou a ação como uma “gravísima agressão militar” e afirmou que o objetivo seria “apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação”.

Audiência em Nova York e posse de Delcy Rodríguez

Na segunda-feira, 5 de janeiro, Maduro se declarou inocente em sua primeira audiência perante a Justiça dos EUA no Tribunal do Distrito Sul de Nova York, onde foi acusado de narcoterrorismo. Flores, de acordo com o mesmo relato, adotou a mesma postura.

Também na segunda-feira, 5 de janeiro, Delcy Rodríguez tomou posse como presidente encarregada da Venezuela, assumindo a chefia do Executivo em meio à crise institucional aberta após o sequestro de Maduro.

Reações internacionais e apoio a Caracas

Ainda conforme o texto publicado, “muitos países do mundo, entre eles a Rússia e a China, pediram a libertação de Maduro e sua esposa”. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou que a Venezuela deve ter garantido o direito de decidir seu destino “sem qualquer intervenção externa” e acrescentou:

“Reafirmamos a solidariedade inabalável da Rússia com o povo e o governo venezuelanos. Desejamos à presidente encarregada Delcy Rodríguez sucesso na resolução dos desafios que a República Bolivariana enfrenta. Por nossa parte, expressamos nossa disposição de continuar a prestar o apoio necessário ao nosso país amigo, a Venezuela”.

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