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Venezuela e China reforçam aliança estratégica para consolidar nova ordem mundial multipolar

Maduro recebe enviado especial de Xi Jinping em Miraflores e agradece “irmandade” chinesa diante de sanções e disputas geopolíticas

Maduro recebe enviado de Xi Jinping (Foto: Telesur)

247 – O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, recebeu nesta sexta-feira, 2 de janeiro de 2026, no Palácio de Miraflores, em Caracas, Qiu Xiaoqil, enviado especial do presidente da China, Xi Jinping, em um gesto político que reforça a parceria estratégica entre os dois países e a defesa de uma nova ordem internacional multipolar. A informação foi divulgada pela teleSUR, com base em material da Prensa Presidencial venezuelana.

O encontro ocorre em um momento de forte tensão no cenário geopolítico global, em que Caracas e Pequim reiteram uma posição de resistência às medidas coercitivas unilaterais e defendem o desenvolvimento soberano dos povos do Sul Global. Para o governo venezuelano, a presença da delegação chinesa evidencia a importância que a China atribui ao relacionamento com a Venezuela, não apenas como parceiro comercial e energético, mas também como aliado político central na região.

A comitiva enviada por Xi Jinping contou com a presença do embaixador da China em Caracas, Lan Hu, além de altos funcionários do Ministério das Relações Exteriores chinês. O objetivo anunciado foi aprofundar as relações diplomáticas e fortalecer a cooperação bilateral, em linha com o esforço de ambos os governos para consolidar, segundo o discurso oficial, um “novo ordenamento mundial multipolar”.

Durante a recepção, Maduro fez questão de destacar publicamente a relação direta com Xi Jinping e agradeceu a mensagem do líder chinês. “Fico muito feliz em cumprimentá-los. Obrigado pela alegria. E agradecer ao presidente Xi Jinping sempre por sua irmandade. Como irmão mais velho… E por sua mensagem tão contundente de líder para o mundo… sempre esperamos sua mensagem no dia 31 de dezembro”, disse Maduro, acompanhado da vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, após receber os representantes chineses.

A declaração, marcada por tom de proximidade política, busca reforçar a leitura de que a relação sino-venezuelana vai além dos interesses econômicos e se insere como aliança diplomática em um contexto de enfrentamento a pressões externas. Ao valorizar o papel da China como referência de liderança mundial, Maduro também sinaliza a estratégia do governo venezuelano de se apoiar em parcerias fora do eixo tradicional de poder para resistir ao isolamento promovido por sanções e medidas de restrição.

Relação histórica e fortalecimento da cooperação

As relações diplomáticas entre Venezuela e China foram estabelecidas em 1974, mas ganharam novo peso estratégico a partir dos anos 2000, com a aproximação promovida pelo Comandante Hugo Chávez e pelo então presidente chinês Jiang Zemin. Segundo a teleSUR, esse período elevou a parceria a um patamar considerado histórico por ambos os governos, transformando-a em um pilar para a estabilidade regional e em um modelo de cooperação.

Um marco importante dessa fase ocorreu em 2001, quando Chávez e Jiang Zemin fundaram a Comissão Mista de Alto Nível Venezuela-China, mecanismo que passou a coordenar acordos e projetos conjuntos em setores como petróleo, energia, aeroespacial, ciência, agricultura e tecnologia. A comissão se consolidou como principal instrumento de articulação bilateral e permitiu que a cooperação se expandisse de forma estruturada ao longo dos anos.

Mais de 600 acordos e a “associação estratégica a toda prova e todo tempo”

Sob a liderança de Maduro e Xi Jinping, Venezuela e China afirmam ter aprofundado a cooperação com a assinatura de cerca de 600 acordos bilaterais, reunidos sob o lema “Associação Estratégica a Toda Prova e Todo Tempo”. De acordo com o material divulgado, esse conjunto de compromissos busca enfrentar “ameaças imperiais” e promover o desenvolvimento conjunto do Sul Global, fortalecendo uma agenda que enfatiza o multilateralismo e a integração econômica.

O discurso oficial enfatiza que a parceria carrega uma dimensão geopolítica explícita: ao defender a multipolaridade, Caracas e Pequim procuram não apenas ampliar o intercâmbio comercial e energético, mas também consolidar convergência diplomática diante do uso de sanções e medidas coercitivas como instrumento de pressão internacional.

Novos entendimentos em 2025 e foco em tecnologia, energia e infraestrutura

A teleSUR também destaca que, em meados de 2025, Venezuela e China assinaram novos acordos de cooperação voltados para setores estratégicos, como tecnologia, energia, comércio e infraestrutura. O objetivo seria impulsionar projetos conjuntos capazes de contribuir para o desenvolvimento econômico e social, ampliando investimentos e fortalecendo capacidades produtivas consideradas prioritárias.

Esses entendimentos recentes indicam que a parceria se mantém ativa e busca resultados concretos, especialmente em áreas que podem aumentar a autonomia tecnológica e energética da Venezuela e ampliar sua capacidade de crescimento em meio a restrições externas.

China amplia presença política e diplomática na região

O encontro em Miraflores também reforça a presença política e diplomática chinesa na América do Sul, em um contexto no qual Pequim tem intensificado laços com países que defendem maior autonomia diante dos centros tradicionais de poder. Para o governo venezuelano, a visita da delegação confirma que a China enxerga Caracas como aliado relevante na região, com papel estratégico que vai além do comércio.

Ao reafirmarem a “relação inquebrantável” entre as duas nações, Maduro e os representantes chineses projetam estabilidade e sinalizam disposição de avançar em uma agenda de cooperação ampla, em um cenário internacional marcado por disputas e reacomodações. O gesto diplomático, no início de 2026, fortalece a leitura de que a aliança Venezuela-China se apresenta como um dos pilares do discurso latino-americano em defesa de um mundo multipolar e de uma ordem internacional mais equilibrada.

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