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Lula lança Fragata "Cunha Moreira" e afirma: "É o começo de um país que vai ser soberano e tomar conta do seu nariz"

Em Santa Catarina, presidente destacou a importância da soberania nacional e da indústria naval brasileira

26.06.2026 - Cerimônia de Lançamento da Fragata “Cunha Moreira” (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, nesta sexta-feira (26), da cerimônia de lançamento ao mar e batismo da Fragata "Cunha Moreira", em Itajaí (SC), terceira embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT). Durante o evento, o mandatário brasileiro afirmou que o fortalecimento da indústria de defesa fará parte das prioridades de seu governo e defendeu investimentos permanentes no setor.

Segundo o presidente, o desenvolvimento tecnológico associado ao programa representa um passo importante para ampliar a soberania nacional. "Eu quero que vocês saibam que isso aqui, para mim, não é um navio, não é um monte de ferro, é um produto tecnológico de primeira linha. É o começo de um país que vai ser soberano e tomar conta do seu nariz", afirmou.

O presidente também declarou que o Brasil não pretende entrar em conflito com outros países, mas precisa estar preparado para proteger seus interesses. "Eu quero que vocês saibam que, além da educação, saúde, transição energética, inteligência artificial, a defesa faz parte das minhas prioridades para transformar esse país", disse.

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, afirmou que os investimentos realizados pelo governo federal representam um marco para o setor. "É difícil para o presidente da República tirar R$ 3 bilhões para uma fragata dessa, quando precisa de dinheiro para alimento, casa, educação, saúde. Mas a defesa pertence à soberania brasileira, pertence a um país, pertence a todos", declarou.

Programa prevê R$ 13,9 bilhões em investimentos

O Programa Fragatas Classe Tamandaré contará com investimentos estimados em R$ 13,9 bilhões entre 2019 e 2030. Desse total, R$ 10,5 bilhões fazem parte do Novo PAC. A expectativa é que a iniciativa gere aproximadamente 23 mil empregos ao longo da execução, sendo 2 mil diretos, 6 mil indiretos e 15 mil induzidos.

A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, afirmou que o Novo PAC busca impulsionar a reindustrialização do país ao combinar investimentos em infraestrutura com fortalecimento da produção nacional. "O PAC pensa também no futuro do país. E a primeira coisa é a necessidade de conteúdo nacional nos investimentos e infraestrutura no Brasil. A gente pensa também como é que o país segue crescendo, como é que a gente fortalece a nossa indústria e, com isso, gerando empregos de qualidade", afirmou.

Segundo a ministra, o programa permitirá modernizar a Marinha e ampliar a capacidade tecnológica da indústria naval brasileira, criando condições para a exportação de produtos de maior valor agregado.

Navios ampliam capacidade operacional da Marinha

O comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen, lembrou que 97% do volume das mercadorias importadas e exportadas pelo Brasil circulam por vias marítimas, correspondendo a cerca de 80% do valor do comércio exterior brasileiro. "Nesse contexto, a concretização das entregas evidencia que investimentos em defesa se revertem em benefícios tangíveis à sociedade em um poder que é pilar à proteção de recursos, fluxos logísticos e instrumento de resposta do Estado", afirmou.

As embarcações do programa estão sendo construídas no TKMS Estaleiro Brasil Sul pela Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, formada pelas empresas Thyssenkrupp Marine Systems, Embraer Defesa & Segurança e Atech. O CEO da Águas Azuis, Fernando Queiroz, afirmou que o programa deixará um legado social e industrial para o país. "Não existe legado maior do que oferecer aos filhos oportunidades que seus pais muitas vezes não tiveram. A Fragata 'Cunha Moreira' protegerá a soberania do Brasil pelos próximos 40 anos. Mas milhares de famílias brasileiras já estão sendo protegidas hoje pelo emprego, pela renda, pela esperança que este programa ajudou a construir."

O Programa Fragatas Classe Tamandaré prevê a construção de quatro navios militares de alta complexidade tecnológica para ampliar a capacidade operacional da Marinha, promover transferência de tecnologia e fortalecer a Base Industrial de Defesa. As embarcações terão deslocamento de 3.500 toneladas, 107 metros de comprimento, convés de voo, hangar para helicópteros, radares, sensores integrados e sistemas avançados de armas. O projeto também permitirá ampliar a proteção da Amazônia Azul, área marítima brasileira com mais de 5,7 milhões de quilômetros quadrados, além de reforçar operações de busca e salvamento e compromissos internacionais.

Antes de iniciar seu discurso, Lula pediu um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos terremotos registrados na Venezuela e determinou ao ministro da Defesa que avaliasse formas de apoio humanitário ao país vizinho. "Queria determinar que, na semana que vem, você fosse à Venezuela para discutir o que a nossa defesa pode fazer de ajuda ao povo da Venezuela", afirmou.

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