“O Brasil está crescendo muito na indústria da saúde. Isso é soberania”, celebra Lula
Presidente destaca avanço da produção farmacêutica e defende investimentos como estratégia de soberania nacional
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (26) que o fortalecimento da indústria da saúde no Brasil representa um passo estratégico para a soberania nacional. A declaração foi feita durante visita ao complexo industrial da Brainfarma, em Anápolis (GO), onde são realizados investimentos voltados à produção de insumos farmacêuticos no país.
Segundo informações sobre o evento, a agenda marcou o avanço de uma política industrial que busca reduzir a dependência externa e ampliar a capacidade produtiva nacional no setor de saúde. A visita ocorreu em uma unidade onde será produzido o ingrediente farmacêutico ativo (IFA) do medicamento Buscopan, com apoio de investimentos públicos e privados, incluindo financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Durante o discurso, Lula afirmou que o crescimento da indústria farmacêutica brasileira está diretamente ligado ao fortalecimento do país no cenário internacional. “Estou muito orgulhoso de saber que o Brasil está crescendo muito na indústria da saúde. Temos viajado para a Índia, para a China, para a Coreia. Onde tiver expertise para a gente trazer, a gente vai trazer. A gente quer fazer associação, parcerias, quer produzir as coisas aqui e vender para o mundo. Tudo isso chama-se ‘soberania nacional’”, declarou.
O presidente também destacou a importância de políticas públicas voltadas ao acesso da população a medicamentos, citando a criação do programa Farmácia Popular. “Sou do tempo em que as pessoas pobres iam no médico, o médico dava a receita, as pessoas levavam a receita para casa, colocavam embaixo do travesseiro e ficavam esperando chegar o dinheiro para chegar. Como o dinheiro não chegava, muitas vezes as pessoas morriam sem comprar o remédio. Aí inventamos o Farmácia Popular, garantindo o direito humanitário de que todo mundo tem o direito de ter o remédio para salvar sua vida”, afirmou.
Na avaliação de Lula, o investimento público na área da saúde deve ser tratado como prioridade. “Muita gente acha que isso é gastar muito dinheiro. Não tem limite de investimento melhor do que colocar dinheiro para salvar vidas. O Farmácia Popular é uma coisa extraordinária, que garante 41 remédios de uso contínuo para que as pessoas possam sobreviver. Se tem doença e precisa de remédio, é o Estado que precisa garantir”, acrescentou.
O discurso também abordou outros temas da agenda governamental, como o combate à desinformação e a aprovação de novas legislações. “Quero transformar o ano de 2026 no ano em que haverá uma disputa entre a verdade e a mentira. Vamos tentar deixar claro para a sociedade o que é verdade e o que é mentira nesse país, quem faz e quem diz que faz, quem faz e quem não faz. Não tem outro jeito de consertar o Brasil se não estabelecer uma linha de corte entre o que é verdade e o que é mentira”, disse.
Lula mencionou ainda a aprovação do chamado ECA Digital, voltado à proteção de crianças e adolescentes no ambiente online. “Essa semana estou muito feliz porque a gente aprovou o ECA Digital, uma regulamentação da lei mais importante para combater o abuso das plataformas com crianças e adolescentes, com ofensas, com bullying, com cenas eróticas, com tentativa de abuso. A lei mais dura no mundo foi a lei que fizemos”, afirmou.
Ao tratar de segurança pública, o presidente reiterou a intenção de combater o crime organizado em todas as camadas sociais. “Anteontem aprovamos a lei antifação. Queremos chegar no andar de cima da corrupção e do crime organizado nesse país. É muito fácil prender pobre na periferia. Quero ver prender os donos dos apartamentos de cobertura, quero prender os donos do narcotráfico nos condomínios chiques”, declarou.
A agenda presidencial também incluiu referências a investimentos industriais e tecnológicos em diferentes regiões do país. Lula citou a assinatura de acordos envolvendo a indústria aeronáutica nacional. “Ontem, pela primeira vez, fomos assinar um acordo. A Latam está comprando 70 aviões da Embraer. Isso vai virar uma espécie de moda. As outras também vão ter que comprar, porque os aviões da Embraer são de muito boa qualidade”, afirmou.
O evento em Anápolis reforça a estratégia do governo federal de fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde, com foco na produção nacional de insumos farmacêuticos ativos. O projeto integra as diretrizes da Nova Indústria Brasil e prevê a internalização de tecnologias consideradas essenciais, com impacto na geração de empregos, ampliação das exportações e redução da dependência externa no setor.


