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3º Leilão do Eco Invest mobiliza R$ 52,8 bilhões em investimentos na área de transformação ecológica

Coordenado pelas pastas do Meio Ambiente, e da Fazenda, o programa tem como objetivo atrair capital estrangeiro para setores da economia verde

Vegetação (Foto: Tarciso Augusto/Semas)

247 - O terceiro leilão do Programa Eco Invest Brasil resultou na mobilização de R$ 52,8 bilhões em investimentos em participação societária (equity), com R$ 15 bilhões homologados em capital público catalítico, alcançando um potencial acumulado de R$ 127 bilhões em recursos mobilizados ao longo de três leilões. Os números foram divulgados nesta quarta-feira (28) pelo Tesouro Nacional.

Coordenado pelos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e da Fazenda, o programa tem como objetivo atrair capital estrangeiro em equity para setores estratégicos da economia verde, utilizando recursos do Fundo Clima. Nesta fase, os valores não são aplicados diretamente nos projetos, mas repassados a instituições financeiras responsáveis por estruturar instrumentos de mitigação de riscos cambial e de desempenho, ampliando a segurança para investidores privados.

Para a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, o resultado reflete a articulação entre política ambiental, inovação e desenvolvimento econômico, além de demonstrar a capacidade do Estado de induzir investimentos sustentáveis.

“O Eco Invest Brasil exemplifica a atuação integrada do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima com o Ministério da Fazenda, o Tesouro Nacional, o BNDES e parceiros internacionais para alavancar investimentos privados a partir de recursos públicos. A iniciativa tem como base o Fundo Clima, que saiu do patamar de cerca de R$ 400 milhões por ano para R$ 51 bilhões, já considerando o orçamento de 2026, com recursos do Governo do Brasil, ampliando de forma expressiva a capacidade de indução do Estado", afirmou.

"Na mesma direção, o Eco Invest já ultrapassa R$ 127 bilhões em potencial de mobilização de recursos para a transição ecológica, evidenciando o apetite do setor privado por projetos sustentáveis e inovadores”, acrescentou.

Os recursos captados no leilão devem sustentar investimentos de longo prazo em empresas de base tecnológica, startups e negócios em expansão, por meio de estratégias de private equity e venture capital. Os aportes serão direcionados a projetos de bioeconomia, transição energética e economia circular, incluindo iniciativas ligadas a superalimentos, biofertilizantes, hidrogênio verde, biogás, bioplásticos, gestão de resíduos sólidos e reciclagem de baterias.

Nesta rodada, seis instituições financeiras tiveram propostas aprovadas - Itaú, Caixa Econômica Federal, Bradesco, HSBC, BNDES e Banco do Brasil. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou que o resultado marca uma inflexão no mercado brasileiro de investimentos em participação societária, impulsionada pela adoção inédita de um mecanismo de hedge cambial.

“Estamos falando de um montante inédito até então e não apenas no âmbito do Programa, mas no mercado como um todo. Esse resultado muda o ponteiro dos mercados de private equity e venture capital no Brasil. Com esse nível de capital, aliado à proteção cambial e a um desenho de risco bem calibrado, a tese do hedge cambial se concretiza e o mercado ganha previsibilidade para operar valores maiores e ampliar o apetite por projetos de inovação alinhados à transformação ecológica”, declarou.

A embaixadora do Reino Unido no Brasil, Stephanie Al-Qaq, destacou que o desempenho do programa reforça a posição do país na economia verde global. “Programas como o Eco Invest Brasil refletem a maturidade do Brasil em se posicionar na economia verde global. O Reino Unido apoia esse esforço por reconhecer seu potencial de integração internacional e de atração de investimentos sustentáveis”, afirmou.

O presidente do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, ressaltou o caráter estruturante da iniciativa. “O grande sucesso do terceiro leilão do Eco Invest é motivo de orgulho para o Grupo BID, parceiro da iniciativa desde sua concepção, e indica que este é um modelo de incentivo a projetos de desenvolvimento que pode ser escalável”, disse.

Além de fomentar projetos inovadores, o Eco Invest Brasil busca ampliar a escala de tecnologias desenvolvidas no país, fortalecer a competitividade das empresas nacionais e ampliar sua inserção nas cadeias globais de valor, potencializando impactos econômicos e ambientais associados à transição ecológica.

4º Leilão em curso: bioeconomia e turismo sustentável

Lançado durante a COP30, em 2025, o quarto leilão do Programa Eco Invest Brasil tem foco no desenvolvimento de projetos de bioeconomia, turismo sustentável e infraestrutura habilitante na Amazônia. O prazo para submissão das propostas segue até 25 de fevereiro de 2026, com divulgação do resultado final prevista para até 40 dias após essa data.

O desenho desta rodada prioriza a formação de cadeias econômicas regionais, integrando comunidades, cooperativas, empreendedores, empresas-âncora e instituições financeiras, com o objetivo de criar alternativas econômicas sustentáveis a atividades historicamente associadas à pressão ambiental.

O Eco Invest Brasil

O Programa Eco Invest Brasil é conduzido conjuntamente pelos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima e da Fazenda, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento e da Embaixada do Reino Unido no Brasil. A iniciativa integra o Novo Brasil – Plano de Transformação Ecológica do Ministério da Fazenda, voltado à promoção da bioeconomia, da indústria verde e das finanças sustentáveis.

Após a homologação dos leilões, as instituições financeiras têm até 24 meses para captar recursos externos e até 60 meses para realizar os aportes nas empresas investidas, em conformidade com as práticas do mercado de investimentos em participação societária.

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