Brasil aposta em destinos de natureza para impulsionar o 'detox digital' nas viagens
Pesquisa do Ministério do Turismo mostra que 36% dos brasileiros buscam silêncio e contato com a natureza, fortalecendo o ecoturismo como tendência
247 - O cansaço provocado pelo excesso de telas, notificações e conexões constantes tem influenciado diretamente o comportamento dos viajantes brasileiros. Cada vez mais, as férias deixam de ser associadas à hiperconectividade e passam a representar uma pausa necessária para o equilíbrio mental, o descanso e a reconexão com a natureza. Nesse cenário, o chamado “detox digital” consolida-se como uma das principais tendências do turismo no país.
Uma pesquisa do Ministério do Turismo revela que 36% dos brasileiros têm buscado experiências que priorizam o silêncio, a contemplação e o contato direto com ambientes naturais. O levantamento reforça o potencial do Brasil como destino estratégico para esse tipo de viagem, graças à sua biodiversidade, extensão territorial e diversidade de paisagens.
Com políticas voltadas ao fortalecimento do turismo sustentável e à valorização do ecoturismo, o Ministério do Turismo tem incentivado a criação e a promoção de roteiros que privilegiam experiências sensoriais e o bem-estar. A proposta é estimular viagens em que a tecnologia fica em segundo plano, abrindo espaço para vivências mais simples e profundas, capazes de promover descanso físico e mental.
Em diferentes regiões do país, destinos se destacam justamente por oferecerem essa desconexão planejada. No Norte, o município de Novo Airão, no Amazonas, surge como porta de entrada para o arquipélago de Anavilhanas, no Rio Negro. Com mais de 400 ilhas, a região convida o visitante a desacelerar por meio da observação da fauna, do ritmo das águas e das praias de areia branca que emergem durante a vazante do rio, em um ambiente de forte integração com a floresta amazônica.
No Sul, Urubici, em Santa Catarina, atrai viajantes que buscam isolamento aliado ao conforto. Localizada na Serra Catarinense, a cidade é marcada por cânions, montanhas e araucárias, além de baixas temperaturas que reforçam a sensação de refúgio. O destino se consolida como um polo de turismo de nicho, voltado para quem valoriza a permanência prolongada e a imersão na paisagem natural.
Já no Sudeste, Visconde de Mauá, na divisa entre Rio de Janeiro e Minas Gerais, combina clima de serra, gastronomia regional e cenários naturais preservados. Cachoeiras, trilhas e chalés cercados por verde definem o ritmo da localidade, onde o silêncio e a privacidade se sobrepõem à lógica do compartilhamento constante nas redes sociais.
No Nordeste, o vilarejo de Caraíva, no litoral sul da Bahia, mantém um modo de vida marcado pela simplicidade e pelo respeito às tradições locais. Sem ruas asfaltadas e com iluminação pública discreta, o destino preserva noites estreladas e uma atmosfera rústica, em que o encontro do rio com o mar se torna parte central da experiência turística e da identidade cultural da região.
No Centro-Oeste, Nobres, em Mato Grosso, é referência em ecoturismo e turismo de baixo impacto. Conhecida pelas águas cristalinas e pela possibilidade de flutuação em rios de tons azulados, a cidade aposta na educação ambiental e na contemplação da natureza como eixos de desenvolvimento turístico, mantendo o charme de uma vila pequena e preservada.
Segundo o Ministério do Turismo, esses exemplos representam apenas uma parcela do potencial brasileiro para o turismo de natureza e para viagens focadas no bem-estar. A pasta segue atuando na estruturação e promoção de centenas de destinos em todas as regiões do país, reforçando o Brasil como um dos principais cenários globais para quem busca desacelerar e vivenciar experiências autênticas em contato com o meio ambiente.



