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Brasil e Armênia apresentam relatório global com 10 ações contra desinformação climática

Documento recomenda medidas para responsabilizar plataformas, proteger jornalistas e fortalecer a integridade da informação ambiental

Brasil e Armênia apresentam relatório global com 10 ações contra desinformação climática (Foto: Tarciso Augusto/Semas)

247 - O Fórum sobre Informação e Democracia divulgou na quinta-feira (12) um relatório internacional com dez prioridades para enfrentar a desinformação sobre mudança do clima e meio ambiente, apontando ações concretas para governos e instituições fortalecerem a integridade das informações ambientais. O trabalho foi desenvolvido pelo Grupo de Trabalho sobre Integridade da Informação sobre Mudança do Clima e Meio Ambiente, copresidido pelos governos do Brasil e da Armênia ao longo dos últimos 12 meses. 

O documento reúne recomendações voltadas à proteção de jornalistas ambientais, à responsabilização de plataformas digitais e à reforma da publicidade digital, considerada um dos mecanismos que favorecem a disseminação de conteúdos enganosos. O relatório também propõe incorporar o tema da integridade informacional às estruturas de governança climática e ambiental, reconhecendo que o combate à crise climática depende do acesso público a dados confiáveis e verificáveis.

O relatório é publicado em um contexto de alerta internacional sobre o avanço do aquecimento global. Embora indicadores recentes apontem que o mundo não está na trajetória necessária para limitar o aumento da temperatura média a 1,5°C, o Fórum destaca que a expansão da desinformação climática se tornou um obstáculo adicional aos esforços de mitigação e preservação ambiental.

Segundo Camille Grenier, diretor-executivo do Fórum sobre Informação e Democracia, a situação exige respostas coordenadas e urgentes por parte dos Estados e de outros atores relevantes. “A desinformação climática tem sido cada vez mais instrumentalizada para ganhos políticos, e a ação por parte dos Estados e outros atores relevantes é urgente. O relatório do nosso Grupo de Trabalho sobre Integridade da Informação sobre Mudança do Clima e Meio Ambiente apresenta reformas claras que os governos podem implementar, em consonância com os princípios estabelecidos na Parceria sobre Informação e Democracia, em especial o direito à liberdade de opinião e de expressão”, afirmou.

Cooperação internacional e participação de 30 países

O grupo de trabalho responsável pelo documento reuniu quase 100 formuladores de políticas públicas, pesquisadores e representantes da sociedade civil de 30 países. O objetivo, segundo o Fórum, foi elaborar recomendações capazes de enfrentar a desinformação climática, apontada por organismos internacionais como uma das ameaças globais mais relevantes da atualidade.

Os primeiros resultados do esforço internacional foram apresentados durante a COP30, realizada em Belém (PA), quando os países participantes endossaram a Declaração de Belém sobre Integridade da Informação sobre Mudança do Clima.

Além disso, o relatório também se conecta à Iniciativa Global pela Integridade da Informação sobre Mudança do Clima, conduzida pelo Brasil em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Recomendações incluem regulação de plataformas e combate ao "greenwashing"

Entre os pontos centrais do relatório está a defesa do fortalecimento da transparência e da responsabilização das plataformas digitais, além do enfrentamento direto à monetização da desinformação. O documento também propõe ações para combater o “greenwashing”, prática na qual empresas ou instituições divulgam informações ambientais enganosas para construir uma imagem sustentável sem comprovação.

O relatório sustenta ainda que a integridade da informação deve ser considerada elemento estratégico para a democracia e para a eficácia das políticas climáticas, já que campanhas de manipulação e distorção de dados podem influenciar decisões públicas, atrasar regulações ambientais e comprometer metas internacionais.

De acordo com o Fórum, algumas dessas recomendações já estão em fase de implementação em países como Brasil, Armênia, Bélgica e França. A entidade informou que continuará acompanhando as iniciativas e prevê a publicação de um novo relatório em 2026.

As 10 prioridades propostas pelo relatório

O documento lista dez medidas consideradas essenciais para conter a desinformação climática e fortalecer a credibilidade das informações ambientais:

  • Incorporar a integridade da informação nos marcos de governança climática e ambiental, reconhecendo que políticas climáticas dependem de dados confiáveis
  • Reformar a publicidade digital e seus incentivos econômicos para interromper a monetização da desinformação ambiental
  • Ampliar transparência e responsabilização corporativa para expor interesses particulares e regular alegações ambientais, combatendo o “greenwashing”
  • Proteger jornalistas e defensores ambientais como base para um debate público informado
  • Fortalecer marcos regulatórios e mecanismos de responsabilização das plataformas digitais
  • Reforçar a liberdade e a sustentabilidade da imprensa e do jornalismo ambiental de alta qualidade como bens públicos
  • Aprimorar a comunicação científica, integridade de dados e inclusão digital para garantir acesso universal à informação ambiental confiável
  • Promover educação ambiental e midiática para aumentar a resiliência social diante da desinformação
  • Expandir pesquisa, monitoramento e metodologias compartilhadas sobre desinformação ambiental e operações de influência
  • Fortalecer a capacidade institucional e a coordenação multilateral, alinhando esforços nacionais a iniciativas internacionais

Com essas diretrizes, o Fórum sobre Informação e Democracia defende que o combate à desinformação climática precisa ser tratado como parte central da resposta global à crise ambiental, associando regulação, educação e proteção institucional como pilares para a construção de políticas públicas eficazes e sustentadas em evidências.

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