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Marina Silva projeta 2026 com menor desmatamento na Amazônia desde 1988

Ministra aponta queda de 35% nos últimos seis meses e afirma que tendência pode levar à menor taxa histórica da série iniciada em 1988

Marina Silva (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

247 - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou nesta quinta-feira (12) que o Brasil pode registrar, em 2026, a menor taxa de desmatamento da Amazônia desde o início da série histórica, em 1988. Segundo ela, dados preliminares indicam uma redução de aproximadamente 35% na supressão da floresta nos últimos seis meses.

As declarações ocorreram no Palácio do Planalto, durante agenda ao lado da secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, e de autoridades envolvidas nas ações de combate ao desmatamento.

De acordo com Marina, os números observados entre agosto e 31 de janeiro reforçam a tendência de queda. “Temos uma expectativa, acompanhando os últimos seis meses, de agosto a 31 de janeiro, a expectativa de chegarmos à menor taxa de desmatamento na amazônia da série histórica se continuarmos com esses esforços”, declarou.

A ministra ressaltou que os dados ainda são parciais, mas apontam um cenário consistente de redução. “Os dados que nós temos apontam na direção, até agora, de uma queda em torno de 35% para 2026. É claro que apenas nos primeiros seis meses, mas isso já é uma forte tendência de queda”, afirmou.

Monitoramento e metodologia

O período considerado para o cálculo anual do desmatamento compreende os 12 meses entre o início de agosto e o fim de julho do ano seguinte. As informações citadas pela ministra são provenientes do Deter, sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que identifica focos de desmatamento e orienta ações de fiscalização em tempo real.

Embora o Deter seja menos preciso que o Prodes — sistema responsável pelos números oficiais consolidados —, os dados funcionam como um indicativo prévio da tendência anual.

O coordenador do Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros, Claudio Almeida, ponderou que os meses restantes até julho costumam concentrar maior pressão sobre a floresta. Ele explicou que o calendário climático influencia a dinâmica do desmate. “Se ele [o desmatador] fizer o desmatamento muito cedo, quando vem o período de chuva, vai rebrotrar, regenerar naquele pedaço e ele vai ter que fazer de novo o desmatamento. Normalmente o desmatamento é feito no final da estação seca”, afirmou.

Desmatamento e cenário político

Em 2025, a taxa de desmatamento na Amazônia ficou como a terceira menor da série histórica iniciada em 1988. Caso a tendência de queda se confirme, 2026 poderá estabelecer um novo marco no controle da devastação da floresta.

Marina também declarou que a redução do desmatamento ocorre paralelamente ao crescimento do agronegócio, em resposta a críticas de setores políticos que acusam o governo Lula de priorizar a preservação ambiental em detrimento da atividade econômica.

A pauta ambiental tem peso relevante no cenário político. Em 2022, Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente com forte discurso em defesa da Amazônia e da recomposição das estruturas de fiscalização ambiental, que haviam sido enfraquecidas no governo do então presidente Jair Bolsonaro.

No discurso após a vitória eleitoral, Lula afirmou: “Vamos lutar pelo desmatamento zero da amazônia. O Brasil e o planeta precisam de uma amazônia viva”.

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