Edital ProFloresta+ supera expectativas e recebe 16 propostas de venda de créditos de carbono
Edital prevê a compra de créditos de carbono originados a partir de projetos de restauração ecológica com espécies nativas no bioma amazônico
247 - A primeira chamada pública do programa ProFloresta+ terminou com um resultado acima do esperado e consolidou o interesse do setor privado em projetos de restauração ecológica associados à geração de créditos de carbono. Petrobras e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) receberam, ao todo, 16 propostas no encerramento do prazo do edital, número considerado expressivo diante da previsão inicial de contratação.
O desempenho do edital reforça o papel do ProFloresta+ como instrumento estratégico para impulsionar o mercado voluntário de carbono no Brasil e ampliar a restauração florestal no bioma amazônico. A iniciativa também sinaliza a crescente demanda por créditos de carbono com elevados padrões de integridade ambiental.
Lançado em novembro do ano passado, durante a COP 30, o edital prevê a compra, pela Petrobras, de créditos de carbono provenientes de projetos de restauração ecológica com espécies nativas da Amazônia. Os contratos serão de longo prazo e obedecem a critérios rigorosos de integridade ambiental. Nesta primeira etapa, o objetivo é adquirir até 5 milhões de créditos, organizados em cinco contratos de 1 milhão de VCUs cada. O prazo final para envio das propostas foi encerrado na sexta-feira, 9 de janeiro.
Além da venda dos créditos, os projetos selecionados poderão acessar linhas de financiamento diferenciadas do BNDES, incluindo recursos do Fundo Clima voltados especificamente à restauração florestal com espécies nativas. Para a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, o volume de propostas confirma a relevância do programa. “O volume de propostas apresentadas indica que o ProFloresta+ responde a uma demanda concreta por iniciativas de restauração florestal com elevados padrões de integridade. O programa foi concebido como política pública de indução, capaz de combinar previsibilidade, critérios técnicos rigorosos e alinhamento à agenda climática, criando condições para ampliar a restauração ecológica em larga escala no país”, afirmou.
Com o encerramento da etapa de submissão, as propostas entram agora na fase de avaliação técnica, que levará em conta critérios definidos no edital, como integridade ambiental, efetividade dos projetos e salvaguardas socioambientais. A Petrobras será responsável por selecionar o conjunto de propostas que ofereça o menor desembolso financeiro para o volume total de créditos que se pretende contratar.
Segundo a diretora de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Angelica Laureano, a forte adesão do mercado evidencia o potencial do Brasil no segmento de carbono de base natural. “Estamos engajados em viabilizar projetos geradores de créditos de alta qualidade e integridade trazendo benefícios climáticos, socioeconômicos e ambientais para o Brasil. A compra de créditos, como ferramenta complementar em nossa trajetória de descarbonização, traz a possibilidade de atingirmos resultados ainda mais ambiciosos do que os possíveis com a descarbonização intrínseca das nossas operações, ao mesmo tempo em que contribuímos para a preservação dos ecossistemas brasileiros”, declarou.
O resultado final do certame, com a divulgação dos projetos vencedores, dos volumes contratados e dos valores a serem pagos pelos créditos de carbono, será anunciado após a conclusão do processo licitatório, prevista para o primeiro semestre de 2026.
O ProFloresta+ é uma iniciativa conjunta do BNDES e da Petrobras anunciada em março de 2025, com o objetivo de incentivar a restauração florestal na Amazônia por meio da remuneração associada à venda de créditos de carbono. A meta do programa é restaurar até 50 mil hectares de áreas degradadas e gerar cerca de 15 milhões de créditos, cada um equivalente a uma tonelada de CO₂ equivalente.
Esse volume de créditos corresponde a uma redução de emissões comparável ao consumo anual de aproximadamente 8,94 milhões de automóveis movidos a gasolina, considerando parâmetros médios de uso. No conjunto, a iniciativa tem potencial para mobilizar mais de R$ 1,5 bilhão em investimentos voltados ao reflorestamento da Amazônia nos próximos anos.
O programa integra a estratégia BNDES Florestas e contribui para os compromissos de redução de emissões da Petrobras. Desenvolvido de forma colaborativa, o ProFloresta+ contou com contribuições técnicas de instituições como Mattos Filho, Imaflora, Agroícone e Instituto Clima e Sociedade, além de sugestões colhidas em consulta pública. A expectativa é que a iniciativa se torne referência para futuras transações públicas de créditos de carbono no país, ampliando a transparência, a previsibilidade de preços e a confiança no mercado voluntário brasileiro.


