Governo federal lança nova iniciativa de bioeconomia e prevê ganho de até US$ 284 bilhões no PIB
Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio) foi construído ao longo de meses e busca renda, inovação e preservação ambiental
247 - O governo federal lançou, nesta quarta-feira (1º), o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), iniciativa voltada ao uso sustentável dos recursos naturais, com foco em inovação, inclusão social e geração de renda. A proposta foi construída ao longo de meses, com participação de câmaras técnicas e consultas públicas. O objetivo é estruturar um modelo de desenvolvimento que integre preservação ambiental e atividade econômica, segundo a Sputnik Brasil.
Durante o lançamento, realizado na sede do Ibama, em Brasília (DF), a secretária nacional de Bioeconomia, Carina Pimenta, classificou o plano como uma "estratégia de desenvolvimento nacional" e um "novo paradigma". Segundo ela, a iniciativa busca ampliar a geração de renda a partir de setores como bioindústria e saúde.
Pimenta afirmou que o plano possui metas definidas e caráter prático. "Não é um plano declaratório, e sim um plano de implementação". Ela também disse que a proposta representa "um caminho concreto para responder à crise climática […]". O programa prevê incentivo a iniciativas lideradas por povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, além do uso de biomassa na produção agrícola.
Investimentos e impacto econômico
A diretora socioambiental do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Tereza Campello, informou que o banco já destinou R$ 1,6 bilhão a ações vinculadas ao plano. Segundo ela, o Fundo Amazônia terá papel relevante no financiamento das iniciativas.
Já a secretária de Economia Verde do MDIC, Júlia Cruz, afirmou que a diversificação de fontes renováveis está ligada à soberania nacional. De acordo com ela, o setor de bioeconomia já responde por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto brasileiro e pode gerar até US$ 284 bilhões adicionais, com impacto direto nas comunidades locais. "A bioeconomia já é uma realidade", declarou.
Energia e contexto internacional
O secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda, Rafael Dubeux, disse que a sustentabilidade passou a orientar o crescimento econômico, integrando políticas ambientais e desenvolvimento.
No mesmo evento, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), associou o tema ao cenário internacional. Ela mencionou os efeitos do conflito no Oriente Médio, com impactos no fornecimento de energia e alta nos preços do petróleo e do gás natural.
Segundo a ministra, os biocombustíveis surgem como alternativa diante desse cenário. Ela defendeu "usar a bioeconomia a favor da paz" e classificou o conflito como uma guerra "enlouquecida".
Resultados e trajetória
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o atual governo promoveu redução do desmatamento em todos os biomas. "E continua a queda", disse, ao comentar os dados apresentados. Durante o evento, Marina Silva também relembrou a trajetória do movimento extrativista e citou o trabalho com Chico Mendes na Cooperacre.
Ela afirmou que, no passado, o grupo dependia de apoio externo, enquanto, atualmente, a cooperativa recebe R$ 69 milhões em investimentos com apoio do BNDES. Ao avaliar sua gestão, a ministra declarou que "melhor está sendo o final do que o começo".


