Governos iniciam plantio de mudas nativas para recuperar a Serrinha do Paranoá
Ação conjunta prevê o cultivo de cerca de 22 mil mudas do Cerrado para proteger nascentes, reforçar a segurança hídrica e recuperar áreas ambientais no DF
247 - Uma ação integrada entre o governo federal e o Governo do Distrito Federal deu início, na quarta-feira (21), ao plantio de mudas nativas do Cerrado na região da Serrinha do Paranoá, área considerada estratégica para a proteção de nascentes e dos recursos hídricos que abastecem Brasília. A iniciativa faz parte de um projeto mais amplo de recuperação ambiental e prevê o cultivo de aproximadamente 22 mil mudas em pontos considerados sensíveis para a manutenção dos cursos d’água.
A atividade é conduzida pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Hídrica (SNSH), em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal (Seagri-DF). O objetivo central é recompor a vegetação nativa, proteger as nascentes locais e fortalecer a segurança hídrica da região, que contribui diretamente para o abastecimento dos córregos e do Lago Paranoá.
Durante o lançamento da ação, o diretor do Departamento de Revitalização de Bacias Hidrográficas da SNSH/MIDR, Nelton Miguel Friedrich, destacou a dimensão do projeto e seu caráter simbólico. “Isso aqui é histórico: são mais de 20 mil árvores sendo plantadas em cerca de 40 dias, mas esse é apenas o primeiro passo de vários que ainda precisam ser dados”, afirmou, ao ressaltar a importância da cooperação entre diferentes esferas de governo.
Segundo Nelton, as intervenções são fundamentadas em um diagnóstico socioambiental que mapeou e avaliou a situação das nascentes da Serrinha do Paranoá. Ele ressaltou que a área tem papel fundamental no equilíbrio ambiental do Distrito Federal. “Esse território precisa se tornar sustentável e saudável. Ele é rural e urbano ao mesmo tempo, está muito próximo aos Poderes da República. Aqui tem que ser um exemplo, uma referência, integrando o econômico, o social, o ambiental, o cultural e até o turismo sustentável”, declarou.
Além do poder público, organizações da sociedade civil também participam do processo. Representando o Instituto Oca do Sol, entidade que atua no apoio ao plantio, Maria Consolacion Fernandez destacou o caráter contínuo do trabalho desenvolvido na região. “Esse trabalho teve início com a tecnologia social Guardiões das Nascentes em 2015, quando foram identificadas mais de 100 nascentes. Neste momento, celebramos o início deste processo de plantio, que deve ter continuidade com educação ambiental e cuidado para que a Serrinha do Paranoá se torne efetivamente produtora de água, abastecendo os nove córregos e garantindo água limpa para a população de Brasília”, afirmou.
O plantio ocorre durante o período chuvoso no Distrito Federal, fator que favorece o enraizamento das mudas e aumenta a taxa de sucesso da recuperação ambiental. Além da implantação das árvores, o projeto prevê ações de manutenção e monitoramento das áreas recuperadas ao longo de 24 meses, com o objetivo de assegurar resultados duradouros para a preservação das nascentes e o fortalecimento da segurança hídrica na região.


