Unidade de soberania alimentar é inaugurada na Terra Yanomami em Roraima
Projeto apoiado pelo MDS busca garantir segurança alimentar, recuperar áreas degradadas e fortalecer a autonomia de comunidades indígenas
247 - A primeira unidade de soberania alimentar instalada na Terra Indígena Yanomami foi inaugurada na segunda-feira (2), na comunidade de Sikamabiu, localizada na região do Baixo Mucajaí, em Roraima. A iniciativa marca um novo passo na reconstrução das condições de vida no território, ao promover o acesso regular a alimentos saudáveis, respeitando os modos de vida tradicionais e contribuindo para a recuperação ambiental de áreas degradadas pelo garimpo ilegal.
A inauguração contou com a presença do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Wellington Dias. O projeto recebeu investimento de R$ 90 mil da pasta e integra uma estratégia mais ampla de segurança alimentar na Amazônia. Durante o evento, o ministro relembrou o cenário de crise humanitária enfrentado anteriormente no estado. “Lembro o dia em que o presidente Lula esteve aqui em Roraima e a situação era de pessoas morrendo de fome. Hoje, estamos trabalhando para a segurança alimentar e, agora, esse passo importante aqui e em várias comunidades, em toda a Amazônia, não apenas na área de terras Yanomami, para garantir que essas pessoas possam ter assistência”, afirmou Dias.
A unidade de Sikamabiu faz parte de um projeto que prevê a implantação de outras sete estruturas de soberania alimentar ainda em 2026. A iniciativa deve beneficiar 18 comunidades Yanomami localizadas nas regiões de Surucucu, Homoxi, Xitei, Lasasi, Ajarani, Olomai e Uxiu. As estruturas produtivas têm como objetivo devolver autonomia às comunidades, reforçar a segurança alimentar e apoiar a recuperação ambiental após a retirada do garimpo ilegal.
Os recursos do MDS são executados por meio de um Termo de Execução Descentralizada firmado com a Embrapa Roraima, responsável pela implementação técnica do projeto. A ação conta ainda com o apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e com a participação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Roraima (IFRR), que atua na capacitação dos moradores da comunidade.
A estrutura da unidade de produção em Sikamabiu inclui um aviário com 100 galinhas, um viveiro com capacidade para 2 mil mudas de espécies nativas, como açaí e cacau, além de tanque de compostagem para a produção de adubo natural. Também foram implantadas roças com cultivo de mandioca, batata e arroz, bem como Sistemas Agroflorestais voltados à recuperação das áreas anteriormente degradadas.
O projeto contempla ainda a criação de peixes para consumo da comunidade. Um tanque escavado de 440 metros quadrados foi construído, e dois açudes que eram utilizados pelo garimpo ilegal foram recuperados e transformados em criadouros. Testes realizados no local confirmaram a ausência de contaminação por mercúrio, permitindo a integração segura dessas áreas ao sistema produtivo. Somados, os três espaços abrigam cerca de 4 mil filhotes de peixes.
A comunidade de Sikamabiu reúne aproximadamente 30 famílias, totalizando quase 400 indígenas. Onde antes operavam máquinas do garimpo ilegal, agora são desenvolvidas atividades voltadas à produção de alimentos para o consumo próprio, em consonância com os saberes e práticas tradicionais do povo Yanomami.
Além das ações coordenadas pelo MDS, a comunidade também recebeu apoio do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). Foram instalados dez tanques elevados com revestimento impermeável para a criação de tambaqui, que abrigam outros 4 mil filhotes. A iniciativa, realizada em parceria com o IFRR, inclui a formação de 34 indígenas que serão responsáveis pelo manejo dos tanques, fortalecendo a autonomia local. A estimativa técnica é que a produção de proteína animal alcance cerca de uma tonelada até o final de 2026.
A agenda do Governo do Brasil em Roraima incluiu ainda outras entregas no território Yanomami e na capital, Boa Vista. Entre elas, a inauguração do Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye’kwana, coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, voltado ao atendimento especializado e à proteção contra violações de direitos humanos.
Todas essas ações integram o Plano de Ação para o Desenvolvimento Sustentável da Terra Indígena Yanomami, liderado pela Funai, que articula iniciativas de diferentes ministérios e órgãos federais. A Terra Indígena Yanomami possui 9,6 milhões de hectares e abriga cerca de 31 mil indígenas, sendo a maior terra indígena do Brasil em extensão territorial.


