“A disputa central do nosso tempo é entre democracia e barbárie”, afirma Edinho Silva
Em artigo, presidente do PT sustenta que combater desigualdades e enfrentar a extrema direita é essencial para a democracia
247 - O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, afirmou que a principal disputa política da atualidade ocorre entre democracia e fascismo e que o resultado desse confronto determinará os rumos do mundo e do Brasil nas próximas décadas. No artigo "Democracia ou barbárie é a escolha do nosso tempo", publicado no jornal Folha de São Paulo na quinta-feira (11), ele defendeu mudanças econômicas e sociais como condição para preservar as instituições democráticas.
Segundo Edinho, o crescimento de forças de extrema direita em diversas regiões do planeta está relacionado ao agravamento das desigualdades, à insegurança social e à incapacidade das instituições de responder aos efeitos da crise econômica internacional iniciada em 2008.
O dirigente petista sustenta que o avanço do pensamento fascista é impulsionado pela desinformação nas redes digitais, pelo ressentimento social e pela descrença em relação ao sistema político. Para ele, a essência desse fenômeno permanece associada à negação da diversidade, ao autoritarismo e à perseguição de grupos vulneráveis.
Europa e Américas
Ao analisar o cenário internacional, Edinho citou o crescimento de partidos de extrema direita na Europa e afirmou que parte dessas forças tem conseguido influenciar governos e ampliar a presença de discursos xenófobos.
No caso das Américas, ele argumenta que movimentos autoritários têm se apresentado como alternativa à política tradicional, mas sem alterar estruturas que concentram renda e aprofundam desigualdades. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi apontado por ele como um dos principais representantes desse campo político.
Para Edinho, a disputa geopolítica contemporânea envolve o controle de territórios estratégicos, recursos naturais, energia, tecnologia e cadeias produtivas. Nesse contexto, ele contrapõe projetos baseados na cooperação internacional e na soberania dos povos a modelos fundamentados na força e no confronto.
Crise econômica e desigualdade
O presidente do PT atribui o fortalecimento do sentimento antissistema à persistência dos efeitos da crise econômica global iniciada em 2008. Segundo ele, grandes economias passaram a conviver com crescimento reduzido, aumento das desigualdades e expansão da insegurança social.
Edinho afirma que países que mantiveram capacidade de planejamento estatal, investimentos públicos e estímulo ao mercado interno, como China e Índia, conseguiram enfrentar melhor esse cenário.
Em relação à América Latina, ele avalia que a região sofreu uma reversão econômica após um período de crescimento acima da média mundial, coincidindo com mudanças políticas que favoreceram agendas de redução do papel do Estado.
Redução da jornada e inteligência artificial
No artigo, Edinho também aborda os impactos das transformações tecnológicas sobre o mercado de trabalho. Ele argumenta que a inteligência artificial pode ampliar a produtividade e melhorar serviços, mas alerta para o risco de aumento da concentração de renda, caso seu desenvolvimento permaneça subordinado exclusivamente à lógica do lucro privado.
Como resposta às mudanças produtivas, o dirigente defende a redução da jornada de trabalho. Segundo ele, a medida pode contribuir para a criação de empregos, melhorar a qualidade de vida e ampliar a distribuição de renda.
Ao tratar do debate econômico, Edinho afirma que a reforma da renda se tornou uma necessidade para a preservação da própria democracia. Em um dos trechos do texto, sustenta que "distribuir renda deixou de ser apenas questão de justiça social" e passou a representar uma condição para a estabilidade democrática.
Reforma do Estado e participação popular
O presidente do PT também defende a reformulação do papel do Estado, argumentando que o mercado não é capaz, sozinho, de enfrentar desafios como a transição energética, a democratização tecnológica, a redução das desigualdades e a proteção da soberania nacional.
Entre as propostas apresentadas estão o fortalecimento da capacidade de investimento público, a ampliação da pesquisa e da inovação e a adoção de políticas voltadas à distribuição dos ganhos proporcionados pelos avanços tecnológicos. Edinho ainda sustenta a necessidade de uma reforma política voltada ao fortalecimento dos partidos, ao debate programático e à ampliação dos mecanismos de participação popular.
Soberania e desenvolvimento
O dirigente petista também aborda temas ligados à soberania nacional, à educação, à transição energética e à democratização das cidades. Ele cita as reservas brasileiras de terras raras como exemplo da importância de preservar o controle nacional sobre recursos estratégicos.
No campo urbano, defende a tarifa zero no transporte público como instrumento de ampliação do acesso à cidade e de garantia de direitos. Ao concluir o artigo, Edinho afirma que a polarização entre democracia e fascismo será o principal debate do século XXI. Segundo ele, "a democracia só vencerá a barbárie" se for capaz de reorganizar a economia, distribuir renda, proteger o trabalho e recuperar a esperança da população.



