Alcolumbre critica "agressões aos Poderes" e alerta para limites institucionais
Senador afirma que ataques não contribuem para o país e pede respeito à democracia
247 - O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou nesta terça-feira (14) que o Brasil atravessa um momento de tensões entre os Poderes e criticou o que classificou como ultrapassagem de limites institucionais no debate político. Segundo ele, o ambiente atual é marcado por ataques que não contribuem para a construção de soluções para o país.
As declarações foram feitas durante cerimônia no Palácio do Planalto que marcou a posse de José Guimarães (PT-CE) como novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais. As informações foram divulgadas pelo portal G1.
Em seu discurso, Alcolumbre destacou que divergências são naturais em um regime democrático, mas condenou o tom adotado em parte do debate público. “As pessoas estão pensando no processo eleitoral, mas estamos vivendo agressões às instituições, está muito bom agredir os outros, passando os limites institucionais. Somos uma democracia, pessoas pensam diferentes, mas agredir não vai construir o Brasil que os brasileiros precisam e esperam”, afirmou.
O senador não especificou a quem direcionava as críticas, mas ressaltou a importância do respeito entre Executivo, Legislativo e Judiciário. A fala ocorre em meio a um cenário político de polarização e disputas intensas, com foco crescente no processo eleitoral.
No mesmo contexto político, também ganham destaque discussões envolvendo investigações no Congresso. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada em novembro de 2025 apura possíveis omissões no combate ao crime organizado no país. O relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apontou dificuldades enfrentadas pela comissão, incluindo “flagrante limitação de recursos” e “enormes barreiras políticas e institucionais”.
O documento também sugere que ministros do Supremo Tribunal Federal deveriam ter se declarado suspeitos em julgamentos relacionados ao banco Master, devido a supostas relações de proximidade com envolvidos no caso, especialmente o empresário Daniel Vorcaro. A instituição financeira passou a ser investigada no âmbito da CPI após suspeitas de irregularidades em operações para ocultar recursos de origem ilícita.
A repercussão do relatório provocou reação no Judiciário. O ministro Gilmar Mendes criticou a iniciativa em publicação nas redes sociais, apontando a necessidade de reflexão sobre os limites de atuação das CPIs, sobretudo quando há, segundo ele, tentativa de questionar decisões judiciais.
O conjunto de declarações e desdobramentos evidencia um momento de tensão institucional no país, marcado por críticas cruzadas entre atores dos diferentes Poderes e pela intensificação do debate político em meio ao calendário eleitoral.


