Aldo Rebelo critica Joaquim Barbosa: "não se apresentou ao partido nem ao eleitorado"
Após reverter expulsão na Justiça, Rebelo questiona ausência de Joaquim Barbosa no debate público
247 - O ex-ministro Aldo Rebelo voltou a questionar a atuação do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa na disputa interna da Democracia Cristã (DC) pela candidatura à Presidência da República. Em entrevista ao SBT News, Rebelo afirmou que Barbosa ainda não se apresentou ao partido nem aos eleitores desde que teve seu nome lançado como pré-candidato.
As declarações ocorreram após uma decisão da Justiça do Distrito Federal determinar a suspensão da expulsão de Rebelo da legenda e sua reintegração aos quadros partidários. A medida restabeleceu a possibilidade de o ex-ministro disputar a indicação presidencial durante a convenção nacional do partido.
Segundo Rebelo, a atuação de um pré-candidato exige diálogo com a sociedade, a imprensa e os filiados. "Até o momento, ele não deu uma única entrevista, não se apresentou para o partido nem para o eleitorado em geral", afirmou. "Quem é pré-candidato assume a responsabilidade de um projeto que exige comunicação, interação com a opinião pública, com os eleitores e com a imprensa."
Disputa interna no partido
Nas últimas semanas, Rebelo esteve envolvido em uma disputa interna na Democracia Cristã. Após perder espaço para Joaquim Barbosa na corrida pela candidatura presidencial da legenda, ele passou a contestar a condução do processo interno e acabou submetido a um procedimento disciplinar que resultou em sua expulsão.
A situação mudou nesta semana, quando a Justiça determinou sua reintegração ao partido em até 72 horas. A decisão considerou que o processo disciplinar não observou o devido processo legal nem garantiu o direito de defesa do ex-ministro.
Com isso, a disputa pela indicação presidencial dentro da sigla foi reaberta. Rebelo mantém sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto e afirma que continuará participando de atividades de pré-campanha, incluindo viagens, palestras e debates pelo país. Questionado sobre a possibilidade de concorrer a outro cargo nas eleições, ele garantiu que permanecerá na disputa presidencial até a realização da convenção partidária.
Avaliação sobre o cenário eleitoral
Ao comentar levantamentos de intenção de voto que apontam desempenho reduzido tanto para ele quanto para Barbosa, Rebelo avaliou que ainda é cedo para projeções mais precisas.
De acordo com o ex-ministro, o cenário atual favorece nomes mais conhecidos nacionalmente, mas pode sofrer alterações à medida que outros pré-candidatos apresentem suas propostas ao eleitorado.
Contestação à expulsão
Rebelo também afirmou que sua saída do partido ocorreu sob o "pretexto" de abrir espaço para outro pré-candidato. Segundo ele, nunca houve oposição à participação de Joaquim Barbosa na disputa interna, mas apenas a defesa de seu próprio direito de concorrer na convenção.
Para o ex-ministro, a direção da legenda apresentou a entrada de Barbosa não como uma nova pré-candidatura, mas como uma substituição de seu nome na corrida presidencial. Ele afirmou que, ao anunciar que recorreria à convenção partidária, sua atitude passou a ser interpretada pela direção como um ato de indisciplina.
"Eu nunca tive nada contra a pré-candidatura do ex-ministro Joaquim Barbosa. O que eu quero é ter o direito de participar da convenção do partido", declarou. "Quando você entra em uma legenda, estabelece um contrato e passa a ter direitos, como o de pleitear candidaturas, funções e cargos. Por isso, recorri à Justiça na certeza de que esse direito me seria assegurado", disse.
Rebelo defendeu o cumprimento da decisão judicial e afirmou que cabe à Democracia Cristã promover um debate interno entre os dois pré-candidatos. Ao ser questionado sobre um eventual confronto de ideias com Barbosa, respondeu que a iniciativa deve partir da própria legenda

