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Amorim defende cooperação com EUA contra facções, mas com "respeito à nossa soberania"

Debate surge após Washington avaliar de classificar facções como organizações terroristas, o que pode resultar em sanções ou até em intervenções militares

Celso Amorim (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

247 - O assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou que o Brasil tem interesse em ampliar a cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado internacional. Segundo ele, qualquer iniciativa nesse sentido precisa ocorrer com respeito à soberania nacional.

As declarações foram dadas em entrevista ao jornal O Globo, em meio a discussões em Washington sobre a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, o que pode resultar em sanções ou até em intervenções militares por parte dos EUA em território brasileiro. 

Cooperação contra crime organizado

Questionado sobre o impacto que essa eventual classificação poderia ter para o Brasil, Amorim evitou entrar em um debate conceitual sobre o tema. O assessor destacou, contudo, que há interesse do governo brasileiro em fortalecer ações conjuntas no combate a atividades criminosas transnacionais.

“Não vou entrar em uma discussão semântica. Temos todo interesse em cooperar com os Estados Unidos no combate ao crime organizado, inclusive aspectos importantes como lavagem de dinheiro e tráfico de armas. Tudo com base no respeito à nossa soberania”, afirmou.

Ex-chanceler e ex-ministro da Defesa nos governos Lula e Dilma Rousseff, Amorim também disse acreditar na possibilidade de entendimento entre os dois países, apesar de eventuais divergências .“Acho que um acordo seria bom. Eu sou sempre otimista, sem ser ingênuo”, declarou.

Debate sobre classificação de facções

O tema ganhou destaque na agenda bilateral nas últimas semanas, enquanto autoridades brasileiras e americanas mantêm conversas diplomáticas sobre estratégias de combate ao crime organizado transnacional.

A hipótese de enquadrar facções brasileiras como organizações terroristas vem sendo tratada com cautela pelo governo do presidente Lula. No domingo (8), o assunto foi discutido em conversa telefônica entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.

A posição brasileira tem sido a de ampliar a cooperação em segurança, preservando o entendimento de que grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) são classificados pela legislação nacional como organizações criminosas voltadas ao lucro, e não como entidades com motivação política ou ideológica.

Tema deve entrar em encontro entre Lula e Trump

Dentro do governo brasileiro, há a avaliação de que parte da pressão em Washington para endurecer o tratamento às facções tem origem em um núcleo político ligado ao Departamento de Estado, considerado em Brasília mais alinhado à direita estadunidense.

A expectativa no Palácio do Planalto é que o tema esteja entre os assuntos discutidos na reunião prevista entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos próximos dias em Washington. 

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