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Trump tenta interferir nas eleições brasileiras ao classificar facções como terroristas, avalia PT

Dirigentes do partido avaliam que proposta dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas pode influenciar o debate político e eleitoral no país

Donald Trump (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

247 - Integrantes da direção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) avaliam que a proposta dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pode representar uma tentativa de interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas eleições presidenciais deste ano no Brasil. A iniciativa é rejeitada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tem recebido apoio de setores da oposição. As informações são da CNN Brasil.

Integrantes da cúpula petista interpretam o movimento como parte de uma estratégia política mais ampla, que poderia fortalecer agendas da direita na América Latina em um ano marcado por disputas eleitorais na região, incluindo também eleições no Peru e na Colômbia.

A discussão voltou a ganhar força após a retomada da proposta de enquadrar organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. A hipótese gerou apreensão no governo brasileiro, que vê riscos à soberania nacional caso a classificação seja adotada.

Apesar das divergências, o governo brasileiro busca manter canais de diálogo com Washington. Desde a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em setembro do ano passado, Lula e Donald Trump vêm mantendo interlocução diplomática, o que havia reduzido parte das tensões entre os dois países.

No último domingo (8), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre possibilidades de cooperação no enfrentamento ao crime organizado. O tema deve integrar a agenda de uma futura reunião entre Lula e Trump, inicialmente prevista para este mês, mas ainda sem data confirmada devido ao adiamento relacionado ao conflito com o Irã.

Mesmo com o diálogo em andamento, o governo brasileiro procura evitar que facções sejam classificadas como organizações terroristas. A avaliação interna é de que essa mudança poderia abrir espaço para consequências graves, incluindo sanções comerciais e até justificativas para eventuais ações militares externas.

Segundo o governo, o objetivo é ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado sem alterar o enquadramento jurídico das facções. No Brasil, a legislação trata esses grupos como organizações criminosas, e não como entidades terroristas.

O debate ganhou contornos políticos adicionais após uma iniciativa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato à Presidência da República. Em maio de 2025, ele entregou a uma comitiva norte-americana enviada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um dossiê elaborado pelas Secretarias de Segurança Pública de São Paulo e do Rio de Janeiro, no qual se relacionam atividades de facções criminosas com práticas terroristas.

Na ocasião, representantes do governo norte-americano também se reuniram com técnicos do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Durante o encontro, foram informados de que, segundo a legislação brasileira, as facções não podem ser enquadradas como organizações terroristas, mas sim como organizações criminosas.

Após esse episódio, o Congresso Nacional aprovou a chamada Lei Antifacção, enquanto avança também a tramitação da PEC da Segurança Pública. O governo brasileiro tem usado essas medidas como argumento para demonstrar que já existem instrumentos legais voltados ao enfrentamento das organizações criminosas.

A avaliação dentro do Palácio do Planalto é que o tema pode ser explorado politicamente durante a disputa presidencial, sobretudo por setores da oposição que defendem medidas mais duras contra o crime organizado.

Nesta segunda-feira (9), o presidente nacional do PT, Edinho Silva, criticou a proposta dos Estados Unidos e reforçou a defesa da soberania brasileira. Em declaração pública, ele afirmou: "O governo Lula trabalha para acabar com o crime, e atua em aliança com diversos países. Não se deixe levar por respostas simples para problemas que exigem firmeza e inteligência. Você precisa saber a verdade sobre a proposta do Trump em classificar facções criminosas como organizações terroristas. Cuidado, a soberania brasileira não pode ser atacada."

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