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Ao comentar o tarifaço, Lula chama filhos de Bolsonaro de "traidores" e diz que são "piores que o pai"

Presidente relaciona nova tarifa de 25% proposta pelos EUA sobre produtos brasileiros a articulações da família Bolsonaro junto ao governo Trump

Presidente Lula, 2 de junho de 2026 (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom das críticas contra os filhos de Jair Bolsonaro e atribuiu à atuação da família a nova tarifa de 25% proposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. As declarações foram feitas nesta terça-feira (2), durante evento em Catalão (GO).

Segundo a revista Veja, Lula afirmou que os filhos de Bolsonaro teriam atuado para estimular a interferência de um país estrangeiro em assuntos internos do Brasil. "Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele e são, na verdade, vendilhões da pátria, foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. É isso que vocês têm que dizer em alto e bom som. São traidores. […]. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso povo?", declarou.

A fala ocorreu após o Escritório de Comércio dos Estados Unidos concluir uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que oneram ou restringem o comércio com empresas estadunidenses. Como consequência, foi proposta a aplicação de uma tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras.

Lula relacionou a medida à recente visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Casa Branca, onde se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e integrantes de sua equipe. Para o presidente brasileiro, há participação dos filhos do ex-mandatário no processo que culminou com a nova sanção comercial.

Ao mencionar o primeiro pacote de tarifas anunciado em julho de 2025, Lula citou publicações feitas por um dos filhos de Jair Bolsonaro nas redes sociais. "No dia em que ele [Trump] taxou, os 'meninos do Bolsonaro', um deles, que é candidato a presidente, disse no dia 9 de julho de 2025, ele tuitou: 'Obrigado Trump, faça o Brasil livre de novo. Queremos o Magnistky', a lei que pune os brasileiros, a lei em que eles sequestram o dinheiro dos brasileiros que podem ter qualquer coisa nos Estados Unidos, inclusive o ministro Alexandre de Moraes", afirmou.

O presidente também acusou dois filhos do ex-mandatário de terem apoiado as medidas adotadas por Trump contra o Brasil. "Então, o filho dele, que hoje foi para a televisão dizer que não disse nada, eu vou repetir, em 9 de julho de 2025, no dia que ele nos puniu, ele foi dizer obrigado Trump. E o outro filho também foi agradecer ao presidente Trump. Os dois criticando o Brasil e parabenizando o Trump pela taxação", acrescentou.

Resposta a Flávio Bolsonaro

Mais cedo, Flávio Bolsonaro afirmou ter pedido ao governo dos Estados Unidos que não aplicasse tarifas às empresas brasileiras. Lula rebateu a declaração durante o evento em Goiás. "Eu já fiz muita campanha política, eu já enfrentei muita gente de direita. Eu enfrentei gente do centro. Nunca esse país teve a sordidez política que a gente tem com essa família metralha que assumiu o governo de 2018 a 2022", disse.

Na sequência, o presidente voltou a acusar integrantes da família Bolsonaro de atuarem em favor das sanções contra o Brasil. "Só para lembrar: ele hoje foi dizer que não falou nada. E falou. Ele foi pedir arrego. Foi dizer: 'porra, Trump, dá uma porrada Lula, taxa o Lula, porque o Lula vai ganhar as eleições, Trump, não deixa. Prejudica o Lula'. Imbecil. Ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, vai prejudicar o povo, os empresários, o agronegócio brasileiros", declarou.

Ao abordar os impactos das tarifas, Lula afirmou que o Brasil possui alternativas comerciais e destacou a retomada das importações de carne brasileira pela China após o reconhecimento do país como livre da febre aftosa. "Então, eu tenho muita sorte. Se você não quiser comprar de mim, eu vou vender para outro. Eu não permitirei que a mentira predomine sobre a verdade", afirmou.

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