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Com faixa em defesa do Pix, Lula diz que novo tarifaço de Trump se baseia em "mentira"

Após investigação comercial, governo dos EUA propõe tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e amplia tensão bilateral

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante anúncio à imprensa sobre a inauguração do Instituto Federal Goiano – Campus Catalão, em Catalão - GO, 2 de junho de 2026 (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (2), em Catalão (GO), que a proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros foi baseada em uma "mentira". Durante o evento, no qual segurou uma faixa com a frase "O Pix é do Brasil", Lula também declarou que aguarda um contato do mandatário estadunidense Donald Trump para esclarecer os rumos das negociações comerciais entre os dois países.

A manifestação de Lula ocorreu horas após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluir uma investigação comercial contra o Brasil e recomendar a adoção de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, com exceções para determinados produtos. Ao comentar a medida, Lula associou a iniciativa a críticas feitas pelo governo estadunidense ao Pix.

"De forma intempestiva, anunciaram o aumento da taxação das coisas brasileiras para 25%. Com base numa mentira. A preocupação dos americanos é que o Pix pode abalar muito as chamadas empresas de cartão de crédito deles", afirmou. O relatório do USTR cita o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, além de questões relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate ao desmatamento, corrupção e decisões judiciais envolvendo plataformas digitais.

Negociações com Washington

Lula afirmou que havia acertado com Trump um prazo de 30 dias para que integrantes dos governos dos dois países tentassem chegar a um entendimento sobre divergências comerciais.

"Então, Trump, você disse que pintou uma química entre eu e você, você me deve uma reunião, e eu devo uma para você. Nós demos 30 dias para os nossos ministros negociarem, então estou esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência", declarou.

O presidente também relatou uma conversa anterior com o líder estadunidense. "Tem uma divergência aqui entre o seu ministro do comércio e o meu, então vamos dar 30 dias para eles provarem quem é que está certo; se eu estiver errado eu aceito e se você tiver errado você aceita", disse.

Segundo Lula, representantes dos dois governos já realizaram três reuniões, mas ainda não alcançaram um acordo.

Críticas ao clã Bolsonaro

Durante o discurso, Lula associou integrantes da família de Jair Bolsonaro à proposta tarifária dos Estados Unidos. Ao mencionar uma viagem recente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao país, o presidente simulou uma conversa do parlamentar com Donald Trump e afirmou: "Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula, porque o Lula vai ganhar as eleições, não deixa, prejudica o Lula".

Na sequência, referindo-se a Flávio Bolsonaro, Lula acrescentou: "Imbecil. Ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar é o povo brasileiro, os empresários brasileiros, o agronegócio". O presidente então voltou a criticar os filhos do ex-mandatário. "Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores que ele. São vendilhões da Pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores", completou.

Marco Rubio e a relação bilateral

O presidente também criticou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, apontado por integrantes do governo brasileiro como defensor de uma postura mais rígida em relação ao Brasil. "O tal do Marco Rubio, que é o anti América Latina e que eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil, ele não estava na reunião", disse.

Lula ainda afirmou que a decisão sobre as tarifas ocorreu enquanto as negociações permaneciam em andamento. "Eles foram encontrar com o Rubio e quando foi ontem eu soube da notícia que o comércio americano resolveu taxar o Brasil em 25%, quando nós estávamos em negociação", declarou.

China e exportações brasileiras

Ao longo do discurso, Lula também destacou o reconhecimento da China ao status sanitário brasileiro de país livre de febre aftosa sem vacinação, medida que pode ampliar as exportações de carne para o mercado chinês. "Como Deus escreve certo por linhas tortas, nada acontece de graça. O que aconteceu hoje para se contrapor à medida do Trump? A China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para o mercado chinês", afirmou.

O presidente indicou que o governo buscará alternativas comerciais caso enfrente restrições no mercado estadunidense. "Então veja, eu tenho muita sorte. Não vou ficar chorando. Se você não quer comprar de mim, eu vou vender para outro", completou.

Próximos passos

A recomendação do USTR ainda não representa uma decisão definitiva. O processo entra agora em fase de consulta pública antes da definição final sobre eventuais sanções comerciais.

O cronograma prevê prazo até 22 de junho de 2026 para pedidos de participação na audiência pública. A audiência oficial está marcada para 6 de julho e o prazo legal para a conclusão do processo termina em 15 de julho de 2026.

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