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Após Ramagem ser preso nos EUA, governistas defendem deportação de ex-deputado

Integrantes da base governista defendem que ex-deputado bolsonarista, considerado foragido pela Justiça brasileira, seja deportado para o Brasil

Alexandre Ramagem (Foto: Gustavo Moreno/STF)

247 - A prisão de Alexandre Ramagem nos Estados Unidos gerou forte reação entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ironizaram o episódio e defenderam sua deportação para o Brasil, onde foi condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. A detenção ocorreu nesta segunda-feira (13), em Orlando, na Flórida, em meio à política migratória rigorosa adotada pelo governo do presidente Donald Trump.

De acordo com a Folha de São Paulo, integrantes da base governista comemoraram a ação das autoridades estadunidenses e passaram a cobrar que o ex-deputado retorne ao país para cumprir a pena determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Reação de governistas

A ex-ministra e deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR)  criticou setores da política brasileira que demonstram apoio ao governo estadunidense. Em publicação nas redes sociais, após a prisão de Ramagem, ela afirmou que “essa turma” está “sentindo na pele o que é governo autoritário e de extrema-direita”. Ela também defendeu a deportação do ex-parlamentar, que teve o mandato cassado pela Cãmara no final do ano passado. “Que seja deportado ao Brasil para cumprir sua pena por tentativa de golpe de Estado”, completou.

O vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), classificou a situação como uma “ironia”. “Eles que defendem tanto o Trump foram presos pelo ICE, aquela polícia extremamente violenta”, disse.

Já o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que Ramagem deixou o Brasil para escapar da Justiça, mas acabou sendo detido no país que admirava. "Fugiu do Brasil para escapar da Justiça, mas acabou sendo detido justamente no país que tanto idolatrava", escreveu Uczai nas redes  sociais. 

“Condenado a 16 anos por tentativa de golpe de Estado, agora deve descobrir que não existe esconderijo seguro para golpista! Não existe patriotismo na fuga, nem verdade na mentira.  Que venha a deportação! Sem anistia para golpista!”, completou. 

 O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, escreveu “Grande dia” nas redes sociais e defendeu que o ex-deputado “pague pelos seus crimes” no Brasil.

O ex-ministro Zé Dirceu também comentou o caso. “Ramagem, condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe no 8 de janeiro, foi preso agora pelo ICE, serviço de imigração norte-americano. Ele estava escondido ilegalmente nos EUA. A informação é da Polícia Federal. Nem Trump está protegendo os bolsonaristas. A tentativa de golpe não passará impune”, detacou ekle na postagem. 

Situação jurídica e prisão nos EUA

Ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro, Ramagem é considerado foragido da Justiça brasileira. Ele deixou o país no ano passado e permaneceu nos Estados Unidos desde então. O STF o condenou à perda de mandato e a 16 anos e um mês de prisão por participação em tentativa de golpe de Estado em 2022.

A prisão desta segunda-feira, contudo, não está relacionada diretamente à condenação no Brasil. O ex-deputado foi detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), responsável pela fiscalização de imigrantes. Documentos do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos indicam que Ramagem estava com o visto expirado, o que o torna passível de deportação

Aliados de Ramagem afirmam que ele não corre risco imediato de deportação e sustentam que a detenção teria ocorrido por uma infração de trânsito relacionada à carteira de motorista desatualizada. Em dezembro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a abertura do processo de extradição de Ramagem, o que pode acelerar sua eventual transferência para o Brasil.

Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o ex-deputado deixou o Brasil de forma clandestina, pela fronteira com a Guiana. Ainda segundo ele, a prisão do ex-parlaentar contou com a cooperação da Polícia Federal brasileira. 

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