Associação manifesta repúdio à operação da PF sobre suspeita de vazamento de dados de ministros do STF
Unafisco Nacional critica cautelares contra auditor e diz que servidores não podem ser tratados como "bodes expiatórios" antes do fim das apurações
247 - A Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco Nacional) manifestou repúdio à operação conduzida pela Polícia Federal que investiga suspeita de violação de dados relacionados a familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a entidade, as medidas cautelares adotadas contra auditor-fiscal investigado geram preocupação, sobretudo por ocorrerem em fase preliminar de análise administrativa. As informações são do jornal Folha de São Paulo.
Entre as medidas citadas estão uso de tornozeleira eletrônica, apreensão de passaporte e afastamento imediato das funções, no contexto de investigação conduzida sob decisões do ministro Alexandre de Moraes. Nesta terça-feira (17), a Polícia Federal (PF) cumpriu quatro mandados de busca e apreensão contra servidores públicos suspeitos no caso nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
Entidade lembra caso de 2019, quando auditores afastados foram posteriormente reintegrados
Em nota, a associação afirmou que os auditores "não podem, mais uma vez, ser transformados em bodes expiatórios em meio a crises institucionais". A entidade também declarou que nem a Receita Federal do Brasil nem seus servidores podem ser "submetidos a exposição pública ou constrangimentos institucionais antes da conclusão das apurações". A entidade declarou que não se opõe à realização de investigações, mas sustenta que eventuais sanções devem ser aplicadas apenas quando houver fundamentação consistente e provas robustas.
A associação relembrou episódio ocorrido em 2019, durante o inquérito das fake news, quando dois auditores foram afastados sob suspeita de vazamento de dados envolvendo familiares de ministros do STF. Posteriormente, as acusações não foram comprovadas e os servidores foram reintegrados às funções. O Sindifisco Nacional também se manifestou. A entidade declarou preocupação com possíveis vazamentos, mas afirmou que o acesso motivado a dados fiscais "não constitui quebra de sigilo e faz parte da rotina de trabalho dos auditores-fiscais da Receita Federal".


