Ataque dos EUA à Venezuela pode elevar custos do comércio exterior brasileiro, aponta especialista
Conflito tende a pressionar fretes, seguros e exigências bancárias, mesmo com baixo peso da Venezuela nas exportações do Brasil
247 - O ataque dos Estados Unidos à Venezuela abre um novo foco de instabilidade regional com potencial de afetar diretamente os custos do comércio exterior brasileiro. Embora a Venezuela represente atualmente apenas cerca de 0,25% das exportações do Brasil, especialistas alertam que o impacto não se limita à relação bilateral e pode se espalhar por toda a América Latina, encarecendo operações logísticas, financeiras e de seguros.
A análise foi apresentada pela advogada especialista em comércio internacional Carol Monteiro, do escritório Monteiro & Weiss Trade, em artigo publicado no blog da jornalista Miriam Leitão, em O Globo, na terça-feira (6). Segundo a especialista, o conflito gera um efeito de contágio que altera a percepção de risco sobre a região, levando agentes econômicos a adotar critérios mais conservadores.
De acordo com Carol Monteiro, o principal reflexo imediato do cenário é a reprecificação de custos operacionais. “Com o aumento da aversão ao risco para operações na região, há endurecimento dos requisitos de compliance e pressão sobre rotas logísticas, prazos e custos operacionais”, afirmou. Ela ressalta que a instabilidade tende a elevar preços de fretes e seguros, além de ampliar exigências de due diligence e alongar prazos de liberação de cargas.
A advogada explica que esse movimento não deve ser encarado como um evento isolado. “Não se trata de um risco pontual, mas de mais um elemento que contribui para a reprecificação contínua do risco regional, influenciando decisões de investimento, logística e financiamento do comércio, ainda que os efeitos diretos sobre volumes permaneçam limitados”, disse.
Os impactos, segundo a especialista, costumam ocorrer em duas fases distintas. No curto prazo, os aumentos se concentram em itens mais sensíveis à percepção de risco, como seguros, fretes e prazos operacionais. Já no médio prazo, empresas tendem a rever suas estratégias para reduzir vulnerabilidades. “É comum observar diversificação de rotas, revisão de contratos logísticos e reforço de estoques estratégicos como forma de mitigar riscos operacionais”, afirmou.
Diante desse cenário, Carol Monteiro recomenda que exportadores brasileiros adotem medidas preventivas e intensifiquem o monitoramento de riscos. Entre as ações apontadas estão o mapeamento de exposições indiretas, a identificação de rotas, operadores e financiadores mais sensíveis à região e o fortalecimento das práticas de compliance e rastreabilidade, especialmente para companhias com vínculos com os Estados Unidos.
A especialista também destaca a importância de revisar contratos logísticos e comerciais. Segundo ela, cláusulas de força maior e mecanismos de flexibilidade operacional são fundamentais para permitir respostas rápidas a mudanças inesperadas no ambiente político e regulatório, reduzindo impactos sobre a competitividade do comércio exterior brasileiro.



