Atos em capitais brasileiras denunciam ofensiva dos EUA e apoiam a Venezuela
Mobilizações articuladas por movimentos sociais criticam escalada militar dos EUA e pedem respeito à soberania venezuelana
247 - Movimentos populares, centrais sindicais e organizações políticas da esquerda brasileira iniciaram uma articulação nacional para realizar atos públicos em diversas capitais do país contra a escalada militar dos Estados Unidos e em solidariedade à Venezuela. A mobilização ganhou força após o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, episódio classificado pelos organizadores como um ataque sem precedentes à soberania venezuelana e à estabilidade da América Latina.
As manifestações estão programadas para ocorrer em diferentes datas e capitais do país:
5 de janeiro
- São Paulo: em frente ao Consulado dos Estados Unidos, a partir das 16h
- Rio de Janeiro: Cinelândia, às 16h
- Brasília: Museu Nacional, às 17h
- Salvador: Praça da Piedade, às 16h
- São Luís: Praça Deodoro, às 16h
- Belo Horizonte: Praça Sete, às 17h
- Porto Alegre: em frente ao Consulado dos Estados Unidos, às 17h
6 de janeiro
- Recife: em frente ao Consulado dos Estados Unidos, às 16h
8 de janeiro
- Fortaleza: Praça do Ferreira, às 15h
A articulação das manifestações envolve entidades sociais, organizações juvenis e representações políticas que se reuniram para coordenar ações de repúdio à política externa conduzida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A mobilização tem como eixo central a denúncia do que os organizadores classificam como uma "agressão imperialista" promovida por Washington. Para essas entidades, a ofensiva norte-americana representa uma ameaça direta não apenas à Venezuela, mas também ao princípio de autodeterminação dos povos da América Latina, região que reafirmam como historicamente comprometida com a condição de Zona de Paz.
A nota também aponta que o sequestro de Nicolás Maduro e de Cilia Flores configura uma grave violação do direito internacional e um ato de guerra.
Leia a nota na íntegra:
Diante do sequestro do Presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cília Flores, os movimentos populares, centrais sindicais e demais forças organizadas da esquerda brasileira uniram-se em solidariedade ao povo venezuelano. Eles destacaram a dimensão inédita do ataque, possível apenas pela capacidade bélica dos Estados Unidos. Neste domingo (4), uma ampla reunião que congregou esses setores — incluindo organizações da juventude, entidades sociais e representações políticas diversas — foi convocada para organizar atos em várias capitais do país. A pauta centrou-se na solidariedade à Venezuela e no repúdio à escalada militar promovida por Donald Trump.
A mobilização tem como eixo central a denúncia da agressão imperialista dos Estados Unidos, que representa uma ameaça não apenas à soberania venezuelana, mas à estabilidade e à autodeterminação de toda a América Latina. As organizações reafirmam o compromisso histórico da região como Zona de Paz e rejeitam qualquer forma de intervenção militar ou ingerência externa.
As entidades também denunciam o sequestro ilegal do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, caracterizando o episódio como um ato de guerra e uma violação brutal do direito internacional. As falsas acusações levantadas contra as autoridades venezuelanas servem apenas como pretexto para legitimar a violência e retomar o controle sobre as riquezas naturais do país - em especial o petróleo.
Outro ponto central da mobilização é a denúncia da máquina de guerras e de mentiras dos Estados Unidos, que adota práticas terroristas em consonância com uma longa campanha midiática internacional de criminalização e difamação do governo venezuelano.
A reunião contou com a participação de representantes direto de Caracas, que trouxeram relatos diretos sobre a gravidade do ataque. Hernán Vargas, do Movimiento Pobladores y Pobladoras e da coordenação política da Alba Movimientos, afirmou que não houve golpe militar, mas sim sequestro, segundo ele, neste momento “os povos do mundo são a extensão da força e da capacidade de resistência do povo venezuelano”.
Já Carlos Ron, ex-vice-ministro das Relações Exteriores da Venezuela para a América do Norte e pesquisador do Instituto Tricontinental, enfatizou que o governo venezuelano não foi derrotado, rechaçando a narrativa de divisão interna. Para ele, o ataque deve ser compreendido como “uma agressão externa de grande magnitude, estranha à cultura política venezuelana, e que exige solidariedade internacional e respeito à soberania do país”.
As organizações também decidiram pressionar o Estado brasileiro para que se manifeste oficialmente, por meio de seus poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como pelos canais diplomáticos, condenando a agressão imperialista e expressando solidariedade ao governo e ao povo da Venezuela.



