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Bolsonarista condenada nos atos golpistas e deportada dos EUA é presa em Confins

Fugitiva, Raquel de Souza Lopes havia sido condenada pelo STF a 17 anos de prisão

Raquel de Souza Lopes e os atos golpistas (Foto: Joedson Alves/Agência Brasil I Reprodução/Redes Sociais)

247 - A cozinheira Raquel de Souza Lopes, de 54 anos, foi deportada dos Estados Unidos e presa nesta quinta-feira (5) ao desembarcar no aeroporto de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ela havia sido condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 17 anos de prisão por crimes ligados à tentativa de golpe de Estado, além de associação criminosa e dano ao patrimônio público. Os relatos foram publicados no Portal Uol

A informação foi divulgada após a chegada da bolsonarista ao Brasil, em meio ao avanço das investigações e condenações relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O caso se soma ao balanço atualizado pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do STF, relator dos processos ligados à trama golpista.

Raquel foi condenada em 2023 e, à época, cumpria prisão domiciliar na cidade de Joinville (SC). Mesmo respondendo a recursos, ela rompeu a tornozeleira eletrônica em 4 de março de 2024 e fugiu para a Argentina acompanhada por um grupo de outros militantes bolsonaristas.

A foragida permaneceu no país vizinho até novembro de 2024, quando autoridades argentinas passaram a prender brasileiros que escaparam do sistema judicial após os atos de 8 de janeiro. Diante do cerco, ela voltou a fugir, desta vez com apoio de outros militantes.

Segundo registros da Interpol no Peru, Raquel entrou no país pela fronteira de Santa Rosa em 19 de novembro. Depois disso, seguiu viagem por Colômbia e México, mantendo-se em rota de fuga pelas Américas.

Atravessando o território mexicano, Raquel entrou nos Estados Unidos em 12 de janeiro de 2025, cruzando a fronteira com o Texas. A Polícia de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) informou que ela foi detida por imigração ilegal e que seria deportada.

Com a deportação confirmada, Raquel acabou presa assim que retornou ao Brasil, ao desembarcar em Minas Gerais.

Condenações

O caso ocorre em meio ao avanço das condenações no Supremo Tribunal Federal contra participantes dos atos golpistas de 8 de janeiro. Três anos após a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, a Primeira Turma do STF já condenou 1.399 pessoas acusadas de participação na tentativa de abalar a democracia e o funcionamento das instituições brasileiras.

De acordo com o balanço atualizado em 8 de janeiro de 2026 pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, 179 pessoas estão presas. Deste total, 114 cumprem pena em regime fechado após trânsito em julgado das condenações.

Outras 50 pessoas seguem em prisão domiciliar, enquanto 15 permanecem detidas preventivamente. Entre os presos preventivos está Felipe Martins, ex-assessor do Jair Bolsonaro, apontado como um dos nomes ligados ao núcleo político da tentativa de ruptura institucional.

A prisão de Raquel de Souza Lopes reforça o cerco a foragidos condenados pelo STF e evidencia o rastreamento internacional de militantes envolvidos nos atos golpistas, mesmo após tentativas de fuga para países vizinhos e entrada irregular em território estadunidense.

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