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Bolsonaro deve receber alta nesta quinta e retornar à cela na PF

Equipe médica diz que liberação depende apenas de “intercorrência”; ex-presidente seguirá tratamento contra soluços, gastrite e apneia na carceragem

Brasília (DF) - 22/11/2025 - Manifestação em frente à sede da Polícia Federal após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

247 – Médicos que acompanham Jair Bolsonaro confirmaram que o ex-presidente deve receber alta hospitalar na manhã desta quinta-feira (1º), caso não ocorra nenhum novo problema de saúde, e então poderá retornar à cela onde cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília.

A informação foi divulgada pela Agência Brasil, após entrevista coletiva concedida pela equipe médica do Hospital DF Star na tarde de quarta-feira (31), quando os especialistas atualizaram o estado de saúde do ex-presidente, internado desde 24 de dezembro.

“A princípio, a alta já está programada, salvo alguma intercorrência”, afirmou o cardiologista Brasil Caiado, em declaração literal aos jornalistas. Segundo ele, a decisão final será tomada após avaliação de rotina na manhã desta quinta. “Nós pretendemos chegar cedo [na quinta], fazer a avaliação de rotina e, se não houver nada de diferente, comunicar a superintendência da PF, aí já não depende mais de nós”, acrescentou.

Bolsonaro foi internado na véspera de Natal e passou, no dia seguinte, por uma cirurgia de hérnia inguinal. Ele havia sido autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a deixar a Superintendência da PF para realizar os procedimentos médicos.

Condenado a 27 anos de prisão no processo relacionado à trama golpista, Bolsonaro deverá continuar recebendo cuidados médicos mesmo após o retorno à carceragem, embora a equipe tenha indicado que caberá a ele manter o autocuidado na cela, com visitas médicas sempre que necessário ou solicitado.

Soluços persistentes levaram a novas intervenções

Durante a semana, Bolsonaro também foi submetido a pelo menos três cirurgias de bloqueio do nervo frênico, procedimento realizado na tentativa de conter uma crise persistente de soluços que, segundo os médicos, o acomete há meses. O nervo frênico é responsável pelo controle do diafragma, músculo essencial ao processo de respiração.

O cirurgião Claudio Birolini explicou que houve melhora, mas o problema não foi totalmente resolvido. “A gente notou que o bloqueio do diafragma dos dois lados diminuiu a intensidade dos soluços, mas não cessou a crise de soluços. Isso mostra que o estímulo não é do pescoço para baixo, mas é do pescoço para cima. É provavelmente um estímulo de origem no sistema nervoso central, que não adianta você fazer um bloqueio definitivo do nervo”, disse ele, literalmente.

Segundo o especialista, o tratamento seguirá com medicação e terapias alternativas, já que a hipótese médica é de que a origem do estímulo esteja relacionada ao sistema nervoso central.

Médicos relatam impacto emocional e uso de antidepressivos

A equipe médica também relatou que as crises de soluços têm sido o principal fator de desgaste emocional do ex-presidente durante a internação. O cardiologista Brasil Caiado descreveu oscilações importantes no estado psicológico do paciente.

“A gente percebe uma piora considerável nos momentos de soluços prolongados. A diferença no estado emocional, físico, ele fica bem abatido nas noites ou nos dias que ele passa com soluços. É o pior estágio. Ele já chegou aqui em um estado emocional mais deprimido, mas oscila muito”, avaliou o médico.

Ainda de acordo com os profissionais, Bolsonaro passou a utilizar medicamentos antidepressivos. Claudio Birolini relatou que o pedido partiu do próprio ex-presidente. “O próprio presidente pediu para fazer uso de algum medicamento antidepressivo, então, foi introduzido e a gente espera que esse tratamento passe a fazer algum efeito em alguns dias”, afirmou.

Cela reformada e rotina de autocuidado após alta

Com a alta, Bolsonaro deverá retomar a permanência em uma cela de aproximadamente 12 metros quadrados, reformada recentemente, segundo a reportagem. O espaço conta com paredes brancas, cama de solteiro, armários, mesa de apoio, televisão, frigobar, ar condicionado, janela e banheiro privativo.

Os médicos destacaram que o ex-presidente precisará manter cuidados básicos ligados principalmente à alimentação e ao refluxo. “Ele [Bolsonaro] está mais disciplinado, entendeu a importância de colaborar em relação à alimentação, a não deitar depois de comer, que é um ponto que gera muito refluxo, comendo de forma mais adequada, mais fracionada. Toda a nossa recomendação, ele está muito disciplinado e seguindo sempre”, afirmou Brasil Caiado.

Endoscopia indicou esofagite e gastrite, além de apneia do sono

No boletim médico mais recente, divulgado nesta quarta-feira logo após a coletiva, o Hospital DF Star informou que Bolsonaro apresentou melhora na crise de soluços e realizou uma endoscopia digestiva alta, que apontou persistência de esofagite e gastrite.

Outro problema enfrentado pelo ex-presidente é a apneia obstrutiva do sono. Para tratar a condição, a equipe médica introduziu o uso de um aparelho CPAP, que fornece fluxo constante de ar por meio de máscara para manter as vias aéreas abertas e evitar paradas respiratórias e ronco.

Claudio Birolini afirmou que Bolsonaro vem se adaptando bem ao equipamento e deverá continuar utilizando-o na carceragem. “Já é a segunda noite que ele usa a máscara, o CEPAP, ele se adaptou bem, disse que dormiu melhor e está sim indicado o uso contínuo enquanto ele tiver na carceragem. Inclusive, ele vai sair daqui com o aparelho”, declarou.

Com a perspectiva de alta nesta quinta-feira, a equipe médica deixou claro que o retorno à prisão dependerá apenas de avaliação clínica final — e, depois disso, a decisão logística ficará sob responsabilidade da Polícia Federal.

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