Boulos defende mudança rápida na escala 6x1: “Não aceitaremos uma transição longa”
Ministro defendeu jornada de 40 horas semanais sem redução salarial e criticou tentativa de adiar mudanças para trabalhadores
247 - O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, defendeu nesta terça-feira (12) uma implementação rápida do fim da escala 6x1 e afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não aceitará uma transição prolongada para a mudança na jornada de trabalho. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro.
Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o debate sobre o fim da escala que prevê apenas um dia de descanso semanal é uma das prioridades do governo federal em 2026. A proposta em discussão prevê jornada máxima de 40 horas semanais, dois dias de descanso remunerado e proibição de redução salarial.
Boulos confirmou que participará, ao lado do ministro da Fazenda, Dario Durigan, de audiência pública na Comissão Especial da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (13), destinada a discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema.
Durante a entrevista, o ministro criticou a possibilidade de uma implementação lenta da medida.
“Quando é uma medida para beneficiar o trabalhador, vai valer daqui a um ano, daqui a dois, daqui a cinco. Que critério é esse? Então, a gente não aceita uma transição dessa natureza”, afirmou.
Ele ressaltou que o governo admite um período curto de adaptação para os setores econômicos reorganizarem escalas de trabalho, mas rejeita qualquer tentativa de postergar a mudança.
“Outra coisa é você querer empurrar com a barriga, usar essa ideia de transição para jogar para frente. Isso o governo do presidente Lula não aceita e nós vamos lutar para que não seja aprovado dessa forma”, declarou.
O presidente Lula assinou em abril uma mensagem presidencial enviada ao Congresso Nacional com urgência constitucional para reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas. O projeto também estabelece dois dias de descanso remunerado sem redução de salários.
Segundo Boulos, a redução da jornada é indispensável para evitar sobrecarga nos demais dias da semana. “Se não reduzir a jornada, vai ter dois dias de descanso semanal, mas essas horas que a pessoa trabalharia no sábado seriam incorporadas nos outros dias da semana. E com isso continuaria tendo a mesma jornada semanal — e isso está errado”, explicou.
O ministro reforçou ainda que a proposta prevê manutenção integral dos salários. “Tem que reduzir a jornada diária para, no máximo, 40 horas — hoje é 44 pela Constituição. E também sem redução de salário”, disse.
Ao comentar críticas de setores empresariais sobre possíveis impactos econômicos, Boulos argumentou que trabalhadores menos exaustos tendem a produzir mais e cometer menos erros. “Tem muita conversa de terrorismo para querer inviabilizar e pouco fato”, afirmou.
Ele também relacionou o modelo atual de trabalho ao crescimento dos casos de adoecimento mental.
“Estamos tendo explosão de casos de burnout, afastamentos do trabalho por ansiedade, depressão, exaustão. Foram 500 mil no ano passado — 500 mil trabalhadores afastados por problemas de saúde mental por excesso de trabalho”, declarou.
De acordo com o ministro, experiências de redução de jornada em outros contextos apontam aumento de produtividade e diminuição de acidentes de trabalho.
“Onde você reduziu a jornada e deu mais tempo de descanso, você teve melhora do rendimento dos trabalhadores, aumento da produtividade do trabalho e redução dos acidentes de trabalho”, afirmou.
O governo federal também lançou a campanha “Mais tempo para viver. Sem perder salário. Porque tempo não é um benefício. É um direito.” A ação será veiculada em mídias digitais, televisão, rádio, jornais, cinema e também na imprensa internacional, com o objetivo de defender a redução da jornada e ampliar o debate sobre qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros.



